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BLOG - Jomar Silva

 

27/08/2010

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Telecom no Brasil: A piada de sempre

Quem acompanha meu blog aqui, sabe que de tempos em tempos volto a este mesmos assunto... e infelizmente me parece que nada muda neste setor da indústria brasileira.

Fazendo um apanhado nas notícias dos últimos dias, temos um panorama muito triste sobre o setor de telecom no Brasil, mais especificamente na relação entre empresas e usuários (acredito que na relação entre empresas as coisas não devem ser tão absurdas assim).

Trabalhei durante os primeiros anos da minha carreira na indústria de telecomunicações, e estava nela bem no momento das privatizações, e eu me lembro que ficava impressionado com o descaso generalizado que existia entre os executivos e alguns técnicos na imensa maioria das empresas. Na grande maioria das vezes, a necessidade ou o desejo do usuário era simplesmente ignorada e vivíamos num modelo onde “te vendo o que eu quero e você compra se quiser”.

Minha esperança era que a concorrência gerada pelas privatizações desse um “choque de realidade” nesse pessoal, mas hoje eu vejo que a mentalidade quase não se modificou desde então... E lá vão os exemplos deste descaso.

A pérola do ano para mim é a magnífica oferta de Banda Larga cobrada por minuto que a TIM está oferecendo, como se isso fosse uma inovação e trouxesse benefícios aos usuários. Pior que isso é ver muita gente animada com isso no twitter, mas a maioria desses não estava “digitalmente ativa” na época da internet discada... tá bom, eu explico para eles como funcionava.

Era um pesadelo ! Você se conectava à Internet olhando para o relógio, e corria feito um desesperado para conseguir fazer tudo o que precisava (e-mails, pesquisas e etc...) no menor tempo possível, pois além do plano limitado por minutos do provedor, você ainda pagava a ligação telefônica também (e os mais velhos vão se lembrar do truque sujo de esperar dar meia noite para se conectar à Internet e pagar apenas um impulso telefônico para pode ficar algumas horas conectado... na belíssima velocidade máxima de 56kbps).

Sendo absolutamente honesto, e fazendo jus ao meu apelido de polêmico, acredito que o artista que criou este novo plano 3G devia estar em hibernação desde meados dos anos 90 e acordaram o cara agora.

Esta “ideia genial” mostra ainda que as operadoras de telecom ainda não conseguiram adequar seus sistemas (e sua cabeça) para parar de cobrar os assinantes com base no impulso telefônico. Desde sempre é isso que fazem (e aparentemente só isso que sabem fazer). Mudaram o “nome” do impulso primeiro para kbps, depois para Mbps, aí inventaram a brilhante Internet Ilimitada com limite (outra sacada de gênio), e agora finalmente chegaram onde queriam: Internet por minuto e pronto... Não vou me surpreender se neste minuto algum artista por lá não está criando um novo “modelo de negócios” onde ele relaciona tempo vs banda vs tráfego e cria um novo “impulso digital de valor agregado” (sim, eles adoram a palavra “agregado” em tudo o que fazem...).

Passada a minha azia com esta “inovação”, me deparo com uma notícia bombástica: A Motorola vai atualizar o Android de seus smartphones para a versão 2.2 em praticamente todo o mundo, menos no Brasil !

Juro que quase morri de rir pensando na cara dos meus amigos que andam penhorando a casa e o carro para comprar um Motorola Milestone, pois ele é considerado o melhor smartphone Android comercializado atualmente no Brasil. E olha que hoje em dia eu tenho dois tipos de amigos: Os que têm o Milestone e os que querem comprar o Milestone... tá bom... tem meia dúzia que é fã da maçãzinha e dois (sim dois) que têm a sorte de ter em mãos um N900 da Nokia (não vou ser chato de entregar aqui que um monte deles tem sempre um BlackBerry escondido no bolso, afinal de contas as pessoas precisam também trabalhar com o smartphone, não é mesmo :) )

Instalei nessa semana o Android 2.2 no meu Samsung Galaxy, e ele é realmente uma versão excelente do sistema (pela primeira vez eu gostei do Android, pena que a bateria do meu Galaxy ainda me deixe na mão diariamente).

Gostei bastante dos protestos que todos fizeram no Twitter e tamanho foi o efeito disso que no final do dia de protestos a Motorola anunciou que estava reconsiderando a sua decisão... Estavam ou não dormindo no ponto novamente ?

Praticamente no mesmo dia em que a Motorola arruma uma briga do tipo “vou xingar muito no Twitter” com os proprietários do Milestone, me deparo com uma mensagem no microblog de um amigo meu (Rafael Rigues) que é jornalista e simplesmente usa a Internet para trabalhar: Chegou em casa e viu que a NET estava fora do ar. Ligou para reclamar e a empresa lhe deu o prazo de 92 hs (por extenso para que ninguém se confunda: noventa e duas horas) para restabelecer o sinal... é ou não é um espetáculo de descaso ?

A cereja do bolo veio com a divulgação dos índices de reclamação do Procom, e adivinha quem lidera a lista de mal criados ? Novamente as empresas de telecom no topo do ranking, seja por aparelhos defeituosos (ou que não entregam o que o marketing vende), e nossas estimadas operadoras com seu padrão de qualidade que todos nós já conhecemos.

Eu realmente gostaria de saber quando é que vai nascer o homem (ou mulher) que vai ter a coragem necessária para acabar com essa farra, uma vez que o mercado regulado por si próprio nos dá um espetáculo de nivelamento por baixo...

Peço desculpa pelo texto longo, principalmente aos amigos do 3G por minuto, mas quem sabe eles aprendem logo o velho truque de salvar as páginas para ler offline... bons tempos aqueles :)

Para  dar minha contribuição para que parte dessa brincadeira acabe logo é que estou participando das discussões do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e recomendo que vocês façam o mesmo. Se nós usuários não fizermos nada, eles vão continuar com as "inovações" genias do dia a dia...

 

postado por Jomar Silva

 
 

20/08/2010

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Oracle vs Google: entrevista com Bruno Souza

Para tentar trazer um pouco de luz ao debate sobre o processo da Oracle contra Google, bati um papo com meu amigo Bruno Souza, consultor, desenvolvedor, evangelista java, o "javaman". Ele é Coordenador da Sociedade de Usuarios Java (SouJava), lider da Comunidade Mundial de Grupos de Usuarios de Java (JUGs Community) e Diretor Honorario da OSI (Open Source Initiative). Ele trabalha atualmente na Summa Technologies.

Este papo foi muito esclarecedor, e por isso decidi publicá-lo aqui.

Para começar, qual é a sua opinião sobre este processo ? Você acredita que existe mocinho e bandido nesse caso ?

Litígios entre empresas em geral não são simples, e não se fala em mocinho e bandido nesses casos. São duas empresas gigantes, que estão usando sua força e peso para ganhar mercado. Não tem ninguem "bonzinho" nisso.

O Google criou uma inovação muito interessante, um novo sistema operacional para telefones celulares, o Android. O grande desafio para se introduzir uma nova plataforma, é atrair os desenvolvedores. O Google decidiu fazer isso, atraindo os desenvolvedores Java, e para isso, incluiu uma parte da Plataforma Java no seu sistema. Obviamente, como Java é uma tecnologia que tem exigências de compatibilidade, e o Google decidiu não honrar essas exigências, eles fizeram um esforço grande para se distanciar de Java o máximo possível, enquanto mantinham a possibilidade de atrair os desenvolvedores Java. Dessa forma, eles tiraram proveito da plataforma e da comunidade criados pela Sun, mas sem incorrer em nenhuma necessidade de licenciar ou pagar aa Sun por isso, e ao mesmo tempo, criando uma especie de "versão incompatível" de Java.

A Google teria vários caminhos para evitar esse processo, e de fato incluir Java no Android, mas decidiu não utilizar nenhuma das formas. Algumas pessoas especulam que a fragilidade financeira da Sun, e o fato da Sun nunca ter usado patentes como base para um processo foram o que fizeram a Sun a não tomar ação.

Por outro lado, essa decisão do Google nos remete a um caso anterior ainda. O Google está utilizando um projeto open source, o Apache Harmony, uma implementação das especificações Java. Mas eles estao usando apenas parte do projeto, a parte que permite com que desenvolvedores Java usem seu conhecimento e suas ferramentas para desenvolver para Android. Ou seja, a parte que permite o Google se beneficiar da gigantesca comunidade Java. Mas quem pisou na bola nesse caso, foi a Sun, que entrou em uma disputa sem sentido com a Apache, e decidiu não permitir que o Apache Harmony passasse pelos testes de compatibilidade. Com isso, a Sun criou um cisma com a comunidade open source, que esta agora sendo aproveitado pelo Google.

Com a compra da Sun pela Oracle, a Oracle, provavelmente tentando recuperar possibilidades de licenciamento perdidas, tomou a decisão de processar o Google, e exigir que eles se posicionem. Observe que existem outros usos questionáveis do Google relacionados a Java, e pode ser que isso também seja colocado na mesa na hora da discussão.

A minha opinião de tudo isso é que são duas grandes empresas, que estão se degladiando e competindo por um mercado. Infelizmente, uma dessas empresas é vista pelo mercado como "mocinho" e outra como "bandido". Mas a verdade, é que temos varios "bandidos" nessa história. A Sun por não ter honrado seu compromisso com a comunidade open source e ter efetivamente impedido o Projeto Harmony de se tornar uma máquina virtual compatível; o Google por ter se aproveitado dessa situação e criado uma versão incompatível de Java (sem chamar de Java), com o objetivo de atrair desenvolvedores sem ter que de fato honrar os compromissos esperados pela comunidade Java (e nem pagar licenciamento por isso), e agora a Oracle, que usando de um processo totalmente penoso em termos de imagem, gerou uma incerteza gigantesca em relação ao futuro de Java, e mais ainda, ao futuro de todos os projetos open source que mantém.

No final de tudo, é um processo que só tem perdedores...

O que é exatamente essa máquina virtual Davilk e qual sua relação com a JVM da Sun ?

A Dalvik é uma máquina virtual capaz de executar código binário Dalvik... Ou seja, não tem relação direta com a máquina virtual Java (JVM), que executa código binário (bytecodes) Java. A questão nesse processo não é a máquina virtual, mas o conjunto de bibliotecas.

Quando usamos o termo "Plataforma Java", estamos basicamente falando de 3 coisas: a Linguagem Java, o conjunto de bibliotecas (APIs) Java e a máquina Virtual Java (JVM), capaz de executar o Código Binário (bytecodes) Java.  Dessas, as mais importantes são as APIs e a JVM, ja que os desenvolvedores dependem da bibliotecas para ter acesso aa funcionalidades da plataforma Java e a máquina virtual nos da a compatibilidade e a capacidade de independência de plataforma. A linguagem Java acaba levando toda a fama, mas é a menos importante: existem várias outras linguagens que tambem usam as APIs e a rodam na JVM, e são tão (em alguns casos ate mais) funcionais do que a Linguagem Java.

Bem, o que o Google fez foi: manteve a linguagem Java, e usou a implementacao das APIs Java feita pela Apache, mas criaram a Dalvik, uma nova máquina virtual. Ou seja, ganharam o mindshare dos desenvolvedores (usando a linguagem Java) e mantiveram a funcionalidade básica oferecida pela plataforma (as APIs). Mas, para evitar qualquer processo (e também por algumas razoes tecnicas), criaram uma máquina virtual diferente, que executa outros tipos de bytecodes.

Se o Davilk foi implementado 'do zero' e agora sofre um processo por violação de patentes, muita gente conclui que utilizar Java é então um enorme risco. Isso é verdade ?

Temos que separar isso em várias questões... Primeiro, o processo movido pela Oracle é baseado em "patentes". Patentes são um risco à industria de software em geral. Só existem basicamente nos Estados Unidos e alguns ouros paises (patentes de software não são reconhecidas no Brasil, nem em boa parte do mundo), e da forma como são feitas nos EUA, prejudicam e muito o desenvolvimento de software e de ideias. Por sinal, patentes de software são um risco para todo e qualquer projeto open source (e projetos não open source também), porque não importa se voce conhece o código de alguém: as patentes são monopolios sobre e ideias. Se voce usa uma ideia que eu patenteei (mesmo que voce nunca tenha ouvido falar de mim, muito menos visto meu software), eu tenho direito de te processar.

Portanto, esse "risco" em relação a Java não tem nenhuma base. Esse processo não mostra que Java seja mais (nem menos) arriscada do que qualquer outro software que você esteja usando.

Além do que, como é que o fato do Google ter não usado Java ser um risco para quem quer usar Java? Na verdade, é exatamente ao contrario: as especificações Java tem provisoes explicitas para que, se voce implementar as especificaçoes completamente (ou seja, se voce _usar_ Java) você estaria protegido de processos de patentes. Ou seja, tivesse o Google de fato usado Java, eles estariam tranquilos e sem nenhum risco de serem processados. E para isso seria muito fácil, o Google tem diversas maneiras de usa Java de acordo, desde usar o projeto livre OpenJDK (compativel) a usar o projeto Harmony e garantir a compatibilidade, ou mesmo licenciar o codigo da Oracle.

Claramente estamos vendo aqui uma briga entre dois gigantes, que infelizmente estão apostando suas comunidades. Mas é importante observar que isso não afeta em nada a vida dos desenvolvedores, nem dos desenvolvedores Java, nem dos desenvolvedores Android, e facilmente poderia ser feito um acordo entre as empresas para resolver isso muito antes de se chegar nos tribunais.

Que lições nós da comunidade Open Source devemos tirar desta encrenca toda ?

Patentes são um mal, e infelzmente, não tem como se fugir delas, e esse caso mostra bem isso. Se entendermos isso aqui no Brasil, e trabalharmos para que o país nunca aceite patentes de software, estaremos fazendo um ótimo investimento no futuro de nossas empresas.

Não existem empresas "boas" e "más", existem riscos e oportunidades. O Google sabia dos riscos, mas viu uma oportunidade. Eles estavam esperando essa decisão da Oracle a muito tempo (de tanto que tinham uma resposta no dia seguinte). E a Oracle também está pesando riscos e oportunidades: o risco de perder a comunidade e a marca Java.

Agora, a melhor lição: Java é uma ótima alternativa! Se não fosse, porque o Google gastaria horrores so para se colocar nessa posição? Eles poderiam ter usado qualquer uma de muitas outras linguagens existentes no mercado, inclusive linguagens proprias como o "Go". Mas a verdade é que Java é de longe a mais usada tecnologia no mundo mobile, e o Google entendeu isso. Mas, tivessem eles se preocupado em manter a compatibilidade, nao estariam enfrentando essa discussao toda.

Em resumo, a historia é mais ou menos a seguinte:

- A Sun criou uma tecnologia para o mundo de celulares (Java Micro Edition), tecnologia essa usada pela gigantesca maioria de fabricantes e operadoras em todo mundo. é baseada nos mesmos principios de Java, e possui uma "máquina Virtual", que é capaz de executar o codigo Java em múltiplos celulares.

- A Apache Foundation criou um projeto para implementar a máquina Virtual Java a partir do zero, chamado Projeto Harmony

- A Sun entao disponibilizou o código fonte de sua máquina virtual através dos projetos OpenJDK e PhoneME, sendo o PhoneME a máquina virtual para telefones celulares.

- O Google decidiu usar partes do Projeto Harmony e criou uma outra máquina virtual, que não é Java, não segue os mesmos padrões da tecnologia Java, mas por usar partes do Harmony, usa a linguagem Java

Eu sempre digo em minhas palestras que o problema hoje não são as patentes, mas o que a empresa detentora de seus direitos faz com ela, e aprendi isso nos anos que trabalhei com a Sun. Esse caso da Oracle serve de exemplo para isso ?

Sim. Essa atitude da Oracle, ainda que o Google tenha de fato infringido as patentes, é muito ruim. A Sun e muitas outras empresas não usaram patentes de forma ofensiva, mas parece ser o que a Oracle esta fazendo nesse momento. É dificil dizer o que eles estão atrás, mas provavelmente estão querendo algum acordo de licenciamento mútuo de patentes (já que o Google tem patentes na área de banco de dados), ou algo nesse sentido. Essa atitude deles cria uma incerteza que irá prejudicar a comunidade Java e todos os projetos open source da Oracle, em especial, o OpenJDK. Essa atitude em relação ao Google, junto com as recentes atividades da empresa de acabar com importantes projetos, como OpenSSO (identidade), Wonderland (mundo virtual 3D) e o OpenSolaris (sistema operacional) entre outros, mostra que a Oracle não está muito interessada em fomentar o desenvolvimento open source dentro da empresa. Isso é um mal sinal.

 

postado por Jomar Silva

 
 

13/08/2010

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Oracle vs Comunidade Open Source: Round 1

Ao que tudo indica, nunca antes na história da informática uma empresa teve a faca e o queijo nas mãos e acabou cortando os pulsos em praça pública como a Oracle aparentemente faz agora.

Acompanhei muito de perto os dias que antecederam a compra da Sun pela Oracle no ano passado e sim, sou assumidamente uma viúva chorosa da Sun... Nunca na minha vida admirei e respeitei tanto uma empresa como admirava e respeitava a Sun, mas o que estamos vendo agora ultrapassa os limites da criatividade de qualquer gerador de FUD por aí.

Recapitulando os acontecimentos, o meu desconfiômetro com a Oracle começou a entrar no amarelo quando vi a imensa maioria dos meus amigos que tratavam do Open Source na Sun deixarem a empresa (alguns por livre e espontânea vontade, outros na marra mesmo) logo após a compra e efetiva fusão com a Oracle. Isso não me parecia sensato para uma empresa que precisaria criar um relacionamento decente com a comunidade Open Source.

Meu desconfiômetro entrou no vermelho quando a empresa simplesmente "desligou" alguns servidores que eram utilizados para testes pela comunidade de desenvolvimento do PostgreSQL há algumas semanas.

A pérola do ano é a notícia amplamente divulgada hoje que a Oracle está processando o Google por violação de patentes e copyright em sua implementação do Android. Mais que isso, a Oracle pede na ação que as cópias já distribuídas do Android sejam destruídas ou inutilizadas, além de alertar que o Google incentivou o mercado a cometer as mesmas violações distribuindo o Android (ou seja, caso a Oracle ganhe essa, podemos nos preparar para ver todas as empresas que produzem smartphones e gadgets com Android sendo também processadas).

Os dois artigos mais interessantes que li a este respeito são este e este.

Explicando de forma rápida, o Android é basicamente um kernel Linux com uma série de complementos. O processo da Oracle é exatamente em torno dos "complementos", ou seja, quase todo o resto do Android (uma máquina virtual chamada Davilk que não é exatamente uma máquina virtual Java mas tem suas raízes na tecnologia Java). Esse é sem dúvida nenhuma um imbróglio que só um grupo de Engenheiros e Advogados com larga experiência conseguirá explicar e entender direito.

A nós, meros usuários e consumidores das tecnologias envolvidas, fica apenas um alerta: Liguem seus desconfiômetros no máximo para o futuro dos outros projetos Open Source  em que a Oracle está envolvida, oriundos da Sun.

Um exemplo disso, é um suposto "e-mail interno da Oracle" que vazou em uma lista de discussão e descreve a estratégia da empresa em relação ao Solaris 11 e ao Open Solaris... novamente um balde de água fria (ou quase isso) para a comunidade Open Source.

Deixo aqui ainda um alerta importante: A Sun possuía um rol de patentes que são utilizadas por 99,9 % dos desenvolvedores de software, e ela sempre utilizou estas patentes de forma defensiva e visando proteger os usuários de suas tecnologias. Este era um compromisso público da empresa que foi honrado até o último dos seus dias. A Oracle não possui tal compromisso e uma destas patentes que beiram o absurdo está sendo usada agora neste processo. Antes que alguém pergunte, sou árduo apoiador deste movimento: Stop Software Patents.

Quem quiser entender melhor os motivos da minha oposição às patentes de software, dê uma olhada na página 4 desta patente aqui (citada no primeiro artigo que indiquei neste post) e me diga se existe outra forma decente de se implementar um "algoritmo de controle de acesso"... lamentável.

Como eu sugeri no Twitter agora há pouco, se continuar nesta linha a Oracle poderia utilizar o seguinte slogan em sua próxima campanha de Marketing para o mundo Open Source: "Lights on, Sound off: The party is over".

Quem viver verá, e me comprometo a mante-los atualizados aqui no blog.

 

postado por Jomar Silva

 
 

PERFIL

Jomar Silva é engenheiro eletrônico, pós-graduado em gestão de projetos e desenvolvimento de sistemas e diretor-geral da ODF Alliance Chapter Brasil. Atua no mercado de TI desde 1996, com ênfase no desenvolvimento de software em projetos de pesquisa e desenvolvimento para empresas do setor de telecomunicações e tecnologia da informação. Atua ainda como "advisor" em padrões abertos junto à indústria de software. É coordenador do Grupo e Trabalho na ABNT que tratou da adoção do ODF como norma brasileira e membro do OASIS ODF TC (comitê internacional que desenvolve o padrão ODF).
 

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