Há estimativa de o mercado movimentar US$ 62 milhões ao ano em tecnologias até 2027. A implantação do Sistema Brasileiro de TV Digital já está trazendo negócios para empresas de várias especialidades tecnológicas. As primeiras transmissões digitais em alta definição começarão em 2 de dezembro com as emissoras de São Paulo. Outras grandes capitais entrarão em 2008.
Para atender ao prazo, as paulistas têm diversos equipamentos comprados e realizam testes tecnológicos. A estimativa é de o mercado de TV digital movimentar US$ 62 milhões ao ano em soluções até 2027. Só este ano o total deve superar esse valor. "Acho que vamos movimentar muito mais que US$ 65 milhões. Dezembro será muito forte em compras de conversores [para recepção de sinais digitais nos televisores analógicos]", afirma o presidente da RFS Brasil, Luís Antonio Oliveira.
A velocidade de adoção da TV digital no Brasil vai depender muito da demanda por conversores, defende o co-fundador e diretor de marketing da Linear, Carlos Fructuoso, que acredita que a rapidez de adoção vai ser superior ao esperado graças ao interesse de bancos e operadoras móveis em levar os equipamentos aos consumidores. A Caixa Econômica Federal realizou reunião com as emissoras convocadas por sua diretoria de tecnologia da informação para considerar o financiamento dos conversores, diz. E, pelo lado das teles móveis, a expansão do uso interessa por ser uma opção de crescimento de gastos de usuários, num momento em que as vendas de linhas estão saturadas. "Devido à interatividade, os conversores podem gerar receita às operadoras na comunicação do espectador com a emissora, por GPRS" conta.
Mas muitos outros mercados além dos de conversores são impulsionados pela TV digital. A Linear, empresa de Santa Rita do Sapucaí (MG), vendeu mais de 32 mil transmissores em 30 anos de existência. Agora a migração para sinais digitais criou uma série de oportunidades. A empresa também contou com o azar de emissoras paulistas. Três delas decidiram comprar transmissores de grande porte e seus acessórios no Japão e nos Estados Unidos. O da Globo foi entregue e está em teste, mas três outras emissoras receberam a informação de que os equipamentos não chegarão a tempo de entrar no ar em dezembro e outras ainda estão contando com a entrega.
Com isso, duas delas preferiram reinvestir no mesmo equipamento no Brasil. O custo máximo de um transmissor de grande porte com acessórios da Linear é de R$ 2 milhões, ainda assim abaixo do custo dos importados.
Dos quatro transmissores instalados até o momento, dois são da Linear - incluindo para a MTV - e os demais da NEC e Toshiba. O mercado esperava a invasão dos fornecedores japoneses, mas isso não acontece.
As oportunidades para fornecedores são imensas. "Considerando as emissoras privadas e culturais, há 1,3 mil pontos de presença no Brasil", diz Oliveira, da RFS. A empresa vem do segmento de telecomunicações, em que fornece equipamentos de irradiação para operadoras celulares, e criou em dois anos uma expertise em emissão de TV no Brasil para atender à demanda. Seus equipamentos vêm da Austrália e já foram entregues para as redes Globo, SBT, Rede TV e MTV. A RFS está estudando a venda de antenas de recepção para os usuários, com a possibilidade de ter a fabricação local. Para garantir que estarão prontas a tempo, as emissoras iniciaram simulações. A empresa de Campinas (SP) EITV criou uma estação de testes tecnológicos. Atualmente três emissoras paulistas realizam testes com a empresa e outras planejam iniciar em breve, segundo o diretor e fundador, Rodrigo Araújo. É um ambiente de testes de interatividade e de benefício, com mobilidade e alta definição. O executivo não revela o nome das empresas em testes.
"As questões pendentes são só tecnológicas. As emissoras têm um modelo de negócios definido, de receita publicitária, de mobilidade, de interatividade", diz. Globo e Record, por exemplo, têm novos modelos de receitas prontos para ir ao ar. Mas para que tudo isso seja viável, os investimentos em tecnologia não podem parar.kicker: Dos quatro transmissores instalados até o momento, dois são da Linear e os demais importados da NEC e Toshiba.