A Avaya, fornecedora de equipamentos para callcenter, telefonia sobre internet e desenvolvimento de software, registrou em 2007 o melhor ano de sua história, com receitas de US$ 6,8 bilhões.
A empresa americana, controlada hoje pelos fundos de private equity TPG e Silver Lake, fechou o capital em outubro passado e nesse primeiro trimestre aproveita o bom momento da economia brasileira para desenvolver no País os segmentos que já fazem parte do seu negócio no resto do mundo, como telefonia sobre internet (VoIP) para a pequena e média empresa e desen-volvimento de software.
O presidente Cleber Morais, recém-trazido da Sun, onde atuou por onze anos, 4,5 dos quais como presidente, está animado com as mudanças estratégicas da Avaya e o potencial que enxerga no mercado sob sua responsabilidade. Cleber justifica seu entusiasmo com o crescimento da demanda, que por sua vez é fruto do aquecimento da economia. "A telefonia IP vive uma verdadeira revolução! Trata-se da segunda onda das comunicações, reduzindo sensivelmente os custos com telecomunicações", disse.
Até o momento, as grandes corporações têm sido as mais beneficiadas pela voz sobre internet, cortando os gastos das comunicações entre matriz e subsidiárias espalhadas pelo mundo. Mas há muito mais mercado a considerar. Nos Estados Unidos, por exemplo, 70% do segmento corporativo já aderiram ao VoIP, enquanto por aqui a adesão não ultrapassa os 30%.
O investimento para implantar telefonia IP era alto e as pequenas e médias ficavam de fora. Hoje, a Avaya desenvolveu um equipamento econômico, que permite aos pequenos e médios implantá-lo e passar a usufruir de seus resultados. O custo desse equipamento é apenas R$ 5 mil, e isso o tornou de imediato um campeão de vendas. "De janeiro até agora vendemos 50 equipamentos e a perspectiva até o fim do ano é atingir 500", planeja Morais. O produto vem acompanhado de software de contact center e Unidade de Resposta Audível (URA), bem como de conferência telefônica e transferência de chamada. Nessa área de atuação, a Avaya enfrenta a concorrência da Ericsson, Panasonic e Siemens.
Enquanto 40% das vendas da Avaya vêm da área de equipamentos de contact center, incluindo URA, plataforma de software, gravador, etc, outros 50% são oriundos da fábrica de software. "Há uma camada de software que se sobrepõe ao VoIP e ao contact center", afirmou Morais, indicando a sinergia de suas áreas de atuação.
Com capital fechado desde outubro, a Avaya está podendo fazer investimentos de mais longo prazo, afirmou Morais. "Os acionistas investidores não costumam permitir prazos muito longos de espera pelo retorno, o que atrapalha os negócios de futuro", diz Morais comemorando.
O centro de desenvolvimento de software brasileiro exporta para outras unidades da Avaya, e não deve perder a atenção da matriz apesar de vir a concorrer com um novo em implantação na Argentina. As comunicações unificadas estão no centro dos investimentos em futuro. "Os equipamentos atuais - telefone e PC - vão se tornar um só", previu