Em primeiro de fevereiro, a proposta da Microsoft para compra o Yahoo! por cerca de US$ 44,6 bilhões (valor inicial) trouxe à tona a antiga discussão sobre as conseqüências das grandes fusões e aquisições para os clientes corporativos. O ano de 2008 mal começou e já contabiliza uma lista extensa. Entram na conta, só para citar algumas, a compra da BEA pela Oracle por US$ 8,4 bilhões; três aquisições da IBM (XIV, Aptsoft e NIT) sem valores divulgados; e US$ 1 bilhão que a Sun pagou pela MySQL. Entender as movimentações do mercado é o primeiro passo para o CIO saber trabalhar para amenizar os efeitos da consolidação.
Apesar de não ser exatamente uma novidade, o número e o volume dos acordos fechados nos últimos quatro anos são surpreendentes (veja gráfico 2). Um levantamento realizado em 2007 pelo The 451 Group revela que as empresas de tecnologia gastaram US$ 476 bilhões em 3.559 operações de fusões e aquisições, sendo 80 delas com valores acima de US$ 1 bilhão. No ano anterior, foram investidos US$ 455 bilhões em 4.015 negociações – em 73 dos casos, o montante superou US$ 1 bilhão. “O grande impulsionador dos acordos no último ano foi a consolidação”, afirma relatório do The 451 Group.
Dois fatores influenciaram este movimento: a polpuda geração de caixa de empresas maduras (a IBM, por exemplo, gera um fluxo livre de dinheiro de cerca de US$ 1 bilhão todos os meses) e a demanda dos clientes de lidar com menos fornecedores. Além disto, nos contratos globais, a empresa que contrata quer o mesmo nível de serviço em todo lugar, pontua Luís Motta, sócio da KPMG.
Em 2008, mesmo que as previsões mais pessimistas sobre a crise da economia se tornem realidade, o cenário aponta para mais consolidações, principalmente no mercado de software, que tem sido o mais ativo neste processo nos últimos anos.
Consolidadoras
De acordo com a Forrester Research, quatro gigantes – IBM, Microsoft, Oracle e SAP –respondem por 35% das vendas de software para empresas e governos em todo o mundo. Em 2008, a participação deve chegar a 39%. Coincidência (ou não), elas são as empresas com o maior histórico de aquisições nos últimos três anos – acompanhadas de perto por Cisco e HP, do setor de hardware que têm caminhado cada vez mais rápido para a venda de software e serviços (veja gráfico 1).
O movimento é cíclico: quanto maior a área de atuação, mais mercados. Mais mercados, maiores receitas e, consequentemente, acionistas satisfeitos, com potencial para injetar mais dinheiro na companhia. Para que o ciclo não seja interrompido, novos mercados precisam ser explorados. Até porque, com o grande número de empresas procurando o mercado de capitais – só no Brasil foram 64 IPOs (sem 2007 – e uma integração cada vez maior entre regiões, é muito fácil procurar novos portos para a aplicação de recursos.