No início de 2002, uma falha no
servidor de banco de dados tirou do ar o fórum da cidade de Taguatinga, no
Distrito Federal, deixando os usuários sem acesso às informações administrativas
e jurídicas, como realizações de audiência e andamento de processos. Sem
contrato de suporte, a área de TI do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e
dos Territórios (TJDFT), responsável por este e outros 13 fóruns no Estado,
resolveu fazer uma experiência: pegou um dos micros comuns que estavam no local
para instalar neles um HD SCSI, um pouco mais de memória e baixar o software
open source Red Hat versão 6.0.
Dentro dessa arquitetura, que também
contava com o servidor de banco de dados Caché Intersystems, as informações
passaram a ser processadas com 90% de disponibilidade, desempenho muito melhor
que o sistema anterior, descentralizado e muito sobrecarregado com o tráfego de
dados. Aliado ao bom resultado, a solução sem custo foi o ponta pé inicial para
a melhoria da administração tecnológica dos fóruns e, em dois anos, estava
totalmente instalada em todos os pontos.
Até então, as bases de dados eram
aplicadas em ambientes descentralizados que formavam uma plataforma bem
heterogênea, com cerca de nove tipos de sistemas operacionais diferentes, entre
eles Solaris e Windows. A falta de um padrão rendia custos altos com manutenção
e licenças, além de treinamento dos técnicos que tinham de saber um pouco de
cada um dos sistemas adotados e, ao mesmo tempo, não conseguiam se especializar
em nenhuma.
"Nosso intuito era unificar a plataforma com dois sistemas
diferentes, sendo que um deles passou a ser o da Red Hat", conta Bernardo
Araújo, subsecretário de tecnologia do TJDFT.
O sinal verde da administração do
Tribunal foi dado logo depois que a equipe de TI apresentou a solução de
melhoria da infra-estrutura sem a necessidade de compra de licenças ou de
licitação, além da economia com renovação de contratos com suporte.
"Economizamos 20% do orçamento que era destinado na época para manutenção.
Precisamos apenas investir no treinamento da equipe para seguir com a migração",
comenta o subsecretário. Entre as vantagens também está a de deixar de adquirir
máquinas mais pesadas para adotar uma plataforma aberta, que tem menos
requisitos de processamento. E o os equipamentos antigos ganharam mais
velocidade no processamento de dados e memória.
Desafio
final
A ação de unificar a plataforma
começou aos poucos nas cidades satélites, a maioria delas concluída em 2002, até
chegar ao fórum principal, localizado em Brasília, no qual a carga de
informações e necessidade de contingência era bem maior, com duas mil conexões
simultâneas. Por isso, a migração começou a ser feita em 2004 com a montagem de
um cluster, formado pela Red Hat Cluster Suíte com três máquinas arquitetura
CISC e processador HP 64 bit. "As máquinas fazem o balanceamento de carga de
informações, quando necessário, para que o sistema nunca fique inoperante por
falha ou falta de contingência. Deu certo", explica Araújo.
Paralelo ao plano de melhoria do
ambiente de TI foi aberto um processo de licitação para treinamento dos técnicos
de informática do TJDFT, já que eles seriam especializados nos dois sistemas
escolhidos para uso nos fóruns - Microsoft e Red Hat. A maior competência de
gestão do software por parte da equipe também gerou melhor uso das soluções, o
que antes não acontecia pela diversidade de softwares operando na mesma
plataforma.
Depois de conseguir unificar toda a
estrutura de rede e tornar o ambiente totalmente homogêneo e mais seguro, a base
de dados do Tribunal pôde ser centralizada em Brasília. Isto ocorreu em 2006 e
facilitou muito a vida dos técnicos de TI que não precisariam mais se locomover
até os fóruns das cidades satélites em casos de falhas, como era feito antes.
Além disto, o site unificado é hoje mais consistente e, ao mesmo tempo, oferece
mais disponibilidade.
Para se ter idéia do volume de
informações que trafegam pela rede, três mil conexões rodam simultaneamente no
banco de dados e o acesso ao site de consulta pelos advogados suporta 300 hits
por segundo. O Tribunal ainda tem subscrição da Red Hat para atualização de
versões do sistema operacional e de suporte para o parque de 40 servidores.
"Conseguimos fazer com que nosso sistema se tornasse melhor mesmo tendo poucos
recursos de investimentos", conclui Araújo.