Categoria serviços de tecnologia
Acostumadas a vender tecnologia, as empresas deste setor não parecem estar se aproveitando muito de seu conhecimento para promover o uso da inovação dentro de casa. Das seis empresas que se inscreveram na categoria neste ano, apenas duas ficaram entre As 100+ Inovadoras em TI. Contudo, Totvs e a Tecban destacaram-se tanto que ficaram entre as dez primeiras colocadas do ranking geral (leia mais nas páginas 26 e 32, respectivamente).
De forma geral, apesar de serem unânimes em afirmar que a estratégia de inovação de TI está definida (66,7% de respostas positivas), as empresas do setor se dividem no que diz respeito à formalização de sua atualização e de sua aplicação. Além disso, na maioria delas, a estratégia não é ratificada por todas as áreas da organização, nem é formalmente comunicada a elas (66,7% de respostas negativas para ambas as afirmações).
É o caso da SAP, na qual a estratégia de inovação, o programa chamado Bring Everyday Solutions Together (Best), é desenvolvida e gerida pela área de TI em nível das Américas. Criado há cerca de três anos, o projeto ganhou novos contornos em 2008. “A idéia não mudou, mas o processo sim, para pegarmos mais comprometimento da diretoria, de quem dá as idéias”, comenta Fernando Winarski, gerente de TI da SAP Brasil, que, no ano passado, estava em segundo lugar na categoria (14º no geral) e caiu para terceiro no setor e 101º no total.
Atualmente, três projetos estão em avaliação pelo comitê do Best, mas Winarski admite que o número de idéias está baixo, principalmente por conta do processo de integração com a Business Objects – comprada em outubro de 2007 por US$ 6,8 bilhões – que está tomando muito tempo dos profissionais de TI. No entanto, o gerente acredita que a partir de 2009 ele deve começar a deslanchar.
O objetivo é atingir a meta de algo entre cinco a dez novas idéias propostas a cada três meses. Para isso, foram padronizadas as formas de apresentação e exposição, a premiação oferecida e elegeu-se um novo grupo para coordenar o projeto, que passou a ser responsabilidade de um membro da equipe de Winarski no Brasil. “Ele concentra todo o trabalho, olha se as idéias estão de acordo, manda para o comitê, chama reuniões”, explica.
Enquanto o programa trilha seu caminho, tendo até a possibilidade de ser levado para o resto da companhia, o gerente tem focado o trabalho na automação de ambientes da SAP Brasil. “Hoje, temos três salas e dois auditórios em que somente com um painel touch screen a pessoa comanda todos os recursos.” A proposta é reduzir a necessidade de deslocamento do pessoal de TI para auxiliar no uso destes ambientes, permitindo que os profissionais dediquem seu tempo a projetos de maior impacto e visibilidade para a companhia, como o Best.
O processo já estava nos planos, mas acabou sendo acelerado pela mudança da sede da SAP Brasil – que saiu de uma área de 4,8 mil m² para outra de 5,5 mil m². Com isso, Winarski aproveitou para repensar layout, disposição de cabeamento e conectores, que geram muitos chamados de suporte. “A estrutura foi pensada com visão de dez anos, então, procuramos uma infra que sustente isso”, conta. Cabeamento de categoria 6A, sistema de combate a incêndio com gás FM-200 e biometria para acesso ao data center foram alguns dos investimentos feitos com esta visão de longo prazo.
SOA
A Siemens Entreprise Communications (SEC), quarta na categoria e 116ª no ranking, está seguindo um caminho parecido com o da SAP. Segundo seu gerente-geral de TI, Jones Bertoli Pimentel, a idéia é compartilhar um pouco mais com os usuários finais a criação de novos fluxos de trabalho usando a arquitetura orientada a serviços (SOA). “É uma inovação que deixa o cliente mais independente para criar suas próprias rotinas sem precisar envolver a TI para desenvolver”, explica, citando que 40 objetos estarão disponíveis para uso. Ao contrário da SAP, a SEC não tem um projeto de inovação da área de TI, ela se utiliza do programa da Siemens, o Idéias, Impulsos e Incentivos ou 3i.
O conceito de SOA é um subproduto do projeto de garantia do desempenho no supply chain da fábrica de Curitiba (PR) que a SEC acaba de colocar em produção com o objetivo de gerenciar o trabalho na planta, para assegurar a qualidade final dos produtos, com indicadores de desempenho e métricas apontadas. Baseada em SOA, a ferramenta permite ainda a integração com outros sistemas, como o ERP da SAP, para consulta de dados.
De acordo com Pimentel, a TI da SEC hoje é uma mistura de provedor de infra-estrutura e direcionadora do negócio. Spin-off da alemã Siemens, a empresa ficou em compasso de espera, nos últimos dois anos, em algumas decisões de prazo mais longo. Agora, depois de anunciada a joint venture com o Gores Group – controlador da Enterasys –, está em curso o processo de definição das diretrizes globais de TI da companhia. “Minha expectativa pessoal é de que em um cenário novo, vamos ter mais condições de contribuir com a empresa.”
Nesse processo, Pimentel, também responsável pela TI na América Latina, tem participado ativamente e colocado suas experiências como referência. Um exemplo é o uso da virtualização nos data centers. Em 2007, quando os sistemas da SEC foram separados dos da Siemens, a região saiu na frente dentro do grupo no uso da tecnologia.
A experiência serviu de base para a decisão de torná-la um padrão global da SEC. “O foco é que a TI seja motivadora, que traga as melhores práticas para a companhia”, enfatiza o gerente. E o trabalho precisa ser bem-feito, já que, atualmente, entre as empresas participantes de As 100+ no setor de tecnologia, a TI ainda é vista como um centro de custo e não de investimento.