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Casas Bahia investe para se tornar um empresa de tempo real

por Carlos Eduardo Valim | Gazeta Mercantil

29/12/2008
Varejo executa 4 milhões de transações por hora e atende uma carteira de 30 milhões de clientes

A Casas Bahia se aproximou ao conceito que vem perseguindo há anos, de se tornar uma empresa em tempo real. Como base para ter todos os sistemas atualizados com as últimas informações de vendas realizadas e disponíveis para consultas por seus executivos, aumentou a velocidade do trânsito de informações entre todas as suas lojas com o seu centro tecnológico, onde estão unificados os dados consolidados. Também implementou programas de análise de negócios, que permitem acompanhar se os resultados estão dentro da meta em cada uma das 560 lojas, permitindo um grau de detalhamento por vendas de cada produto, por região, por unidade e até por cada vendedor.

E, às vésperas de lançar sua loja virtual, para vendas na internet - que está pronta e só recebe ajustes finos, aguardando apenas o momento mais estratégico para seu lançamento, segundo o diretor de tecnologia da informação das Casas Bahia, Frederico Wanderley -, a rede varejista realizou ambicioso projeto de etiquetas inteligentes. "A Casas Bahia usa tecnologia não como despesa, mas como investimento. O que vale no nosso negócio é o pós-venda", afirma o executivo. "Fazemos 4 milhões de transações por hora e atendemos uma carteira de 30 milhões de clientes, sendo que 15 milhões de pessoas passam em nossas lojas mensalmente."

Utilizando a tecnologia WAAS (Wide Area Application Services) da Cisco Systems, equipamento que acelera o tráfego de dados pela rede corporativa, a Casas Bahia criou o maior projeto da América Latina e um dos três maiores do mundo realizado com o produto pela gigante americana de tecnologias de rede corporativa. A informação de cada venda registrada em qualquer ponto do País é imediatamente transmitida e se torna rapidamente disponível e atualizada nos sistemas de administração, que podem ser consultados de qualquer lugar.

Não há processamento local nas lojas da rede, nem mesmo os computadores pessoais possuem discos rígidos, e acessam dados remotamente. Todas as informações são centralizadas em banco de dados e processadas em servidores de grande porte, os mainframes, da IBM, na sede, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. No primeiro teste, em outubro de 2007, o tempo para a atualização de dados na central de atendimento telefônico, em Jundiaí (SP), passou de 20 segundos para 1 segundo.

Todas as madrugadas a empresa passava as informações da central para as lojas, atualizando as informações diárias, em um processo que, após a implementação da tecnologia, começou a ser feito em duas horas a menos e exigindo menos capacidade de banda. Atualmente 390 lojas já fazem parte do projeto, e, segundo Wanderley, todas estarão trafegando em maior velocidade até fevereiro de 2009. Durante o dia, há também um tráfego de dados, à medida que cada venda é registrada ou os atendentes requisitam uma informação.

O uso de WAAS permite melhores resultados em uma série de outros projetos e sistemas. O caminho da venda de um produto dispara uma série de processos automatizados e atualizações em diversos programas. Se a compra for feita por alguém que já foi cliente, o sistema traz seu histórico. O registro da venda vai para o banco de dados, da IBM, e para os sistemas com informações gerenciais. Automaticamente, ocorre a separação do produto do estoque e o software de entrega planeja o caminhão e dia em que será feito o frete.

Campo de testes

A Casas Bahia realizou durante o mês de dezembro um projeto pioneiro de etiquetas inteligentes, tecnologia conhecida pela sigla RFID (em inglês, para identificação de dados por radiofreqüência). Pela primeira vez, durante o feirão Supercasas Bahia, realizado no Anhembi, em São Paulo, a empresa testa essa tecnologia, que pode ser ampliada para as principais lojas da rede.

"Estamos utilizando etiquetas em cada produto, não em páletes", afirma o diretor de tecnologia, Frederico Wanderley, lembrando que muitas empresas começam projetos com a tecnologia em caixas, o que exige a aquisição de menos chips, diminuindo o custo do projeto-piloto.

Para baixar o preço, a empresa preferiu comprar as etiquetas nos Estados Unidos, onde existe maior demanda e, por isso, menor custo por unidade.

Por meio dos chips contidos nas etiquetas, os sistemas da empresa acompanham a saída de cada produto do estoque até a entrega na residência do cliente. Logo que uma venda é efetuada, o produto passa por um sensor, que "lê" sua saída e atualiza os sistemas. A aferição acontece quando ele é transportado ao caminhão que realizará a entrega e depois quando sai do veículo para as mãos do cliente. Isso cria um processo de controle mais confiável, e que inibe extravios e roubos de mercadoria.



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