Vivemos tempos difíceis. A indústria de TI que o diga. Nesse momento, fornecedores de tecnologia encontram-se no meio de um cabo de guerra: de um lado clientes exigem produtos mais baratos e com maior capacidade; do outro, acionistas pressionam em busca de melhores margens de lucro. Quem vai vencer essa disputa?
Leo Apotheker, que na próxima semana assume em definitivo o comando da SAP, acredita que a vitória virá de uma mudança de cultura da fabricante alemã, promovendo maior aproximação com clientes. O executivo também defende a adoção de processos de desenvolvimento mais enxutos, que dariam eficiência à companhia e a sua base de usuários.
"Estamos tentando fazer com que a SAP vá para o próximo nível de sua evolução", disse Apotheker. "Se você olhar para trás, mesmo no início da automação de funções de back-office, verá que nossos produtos são capazes de transformar empresas", completou, citando a palavra "clareza" como chave do novo discurso de aproximação com clientes.
Sob a óptica de produto, a fabricante aposta em novidades no portfólio de business intelligence (BI), baseado no SAP Business Objects Explorer, anunciado na terça-feira (12/05). A tecnologia permite pesquisas de grande volume de dados a partir de linguagens mais nativas e busca por palavras-chaves e exposição por meio de gráficos comparáveis, o que aumenta a velocidade do processo e a penetração da solução dentro das companhias.
O executivo acredita que essa interação com a base de dados revolucionará a forma como as empresas lidam com suas informações. "A ideia de que o BI deve ser acessado por experts acabou", analisa.
Durante o Sapphire, evento promovido pela fabricante alemã nos Estados Unidos, as reações ao Explorer foram variadas. Enquanto alguns gestores de tecnologia entusiasmaram-se com a experiência proporcionada pelo produto, outros manifestaram ceticismo frente à plataforma.
De toda forma, Apotheker rejeita a ideia de que a fabricante alemã está perdendo aderência junto ao mercado. De fato, as vendas da SAP em mercados como o norte-americano, no último trimestre, caíram. Analistas acreditam que tal declínio baseia-se no avanço de concorrentes e o fortalecimento de novos modelos de compra e manutenção de software.