É possível acompanhar a evolução tecnológica pela cobertura da mídia
nas Copas do Mundo. Em 1966, na Inglaterra, um pool de TVs pretendia transmitir
os jogos via satélite. A Televisa, do México, país que seria sede do evento,
fez o possível para participar desta novidade. Mas as complicações técnicas da
época barraram as intenções dos mexicanos. Já, em 1970, a Copa foi marcada
pela transmissão ao vivo para todo o planeta. Em 1974, os televisores ganharam
cores. Décadas depois, na França de 1998, foi vez das transmissões digitais,
aproximando TV e computador pela primeira vez. O celular só virou dispositivo
para assistir o evento em 2006, na Alemanha. Porém, somente 5% dos então 87
milhões de aparelhos no Brasil tinham capacidade de reproduzir vídeo. Na Copa
anterior, na dobradinha Coréia e Japão, esta tecnologia foi testada, mas
apresentou diversas falhas.
Copa 2014: confira as cinco reportagens do especial
Pergunta-se, então, o que podemos esperar de 2014. Algumas
TVs ao redor do mundo discutem a possibilidade de novas tecnologias como 3D e
holografia. É difícil prever, com cinco anos de antecedência, se seria um
espetáculo mais de ficção científica do que de esporte. Porém, o jornalista
Tino Marcos, editor-chefe do Globo Esporte, que já participou da cobertura de
cinco Copas do Mundo e viu muitas mudanças no modo como esse tipo de evento é
transmitido tem uma certeza. "Imagino um crescimento especial na exibição
de imagens de alta definição em telões gigantes", aponta. Para ele, a essa
é uma característica das últimas Copas do Mundo de Futebol. Se antigamente as
pessoas se reuniam em casa para assistir aos jogos, as últimas competições
mostraram que o uso de telões consegue chamar a atenção de multidões.
O jornalista da Rede Globo é um exemplo de como a telefonia
e a internet se tornaram importantes para a produção e a transmissão de
notícias. Ele utiliza um notebook, um celular e um smartphone para receber
e-mails durante seu trabalho. Está constantemente conectado e recebendo
informações.
Na Copa de 2014, esse quadro deve estar ainda mais
abrangente. Além de jornalistas, centenas de milhares de torcedores estarão de
celulares em punho e conectados em seus computadores durante os jogos. E isto
vai mudar o modo como assistimos ao evento. No estádio, o melhor detalhe pode
estar na câmera do celular que captou algumas imagens e não na complexidade de
vinte e tantas supercâmeras na beira do campo. "No jornalismo, o flagrante
vale tanto ou mais do que a imagem bonita, produzida", ensina Tino Marcos.
É com essa transformações que as empresas começam a se
preocupar. "A Copa de 2014 incentivará a criação de conteúdo
multiplataforma e, para isto, é fundamental o uso de sistemas que suportem
fluxos de trabalho flexíveis, baseados em tráfego de arquivos sobre redes de
dados de alta velocidade", aponta o diretor da divisão de jornalismo da
Central Globo de Engenharia, José Manoel Marino. "Será uma época
maravilhosa para o consumidor de mídia, com a realização do conceito de
anytime, anyplace, anywhere", diz.
TI e imprensa juntos
Para que isso aconteça, um exército de profissionais e uma
infraestrutura tecnológica robusta precisa estar em pleno funcionamento. O
centro nervoso das transmissões na Copa de 2014 será o IBC (International
Broadcast Center), onde todas as redes de televisão e empresas de notícias
acompanharão as imagens dos jogos. Ainda não está definida a cidade que
abrigará esse monumento de informação. Mas já se sabe que ele deve contar com o
que existe de mais confiável para transmitir imagem e som em alta definição,
uma exigência da FIFA.
Além disso, será preciso prever qualquer avanço nas TVs ou
nos dispositivos que transmitirão o evento para um público de cerca de 1 bilhão
de pessoas ao redor do mundo. Seja num aparelho de televisão, celular ou
computador, o centro deve tornar possível que a emoção do esporte mais amado do
mundo seja assistido sem falhas. "Esta será a copa da web, da HDTV e da
mobilidade", destaca o diretor-executivo de tecnologia da Embratel, Ivan
Campagnoli. A empresa é uma das que estão de olho no projeto do IBC e conta com
a experiência de transmitir as duas últimas Copas e os Jogos Olímpicos para
comover a organização do evento.
Mesmo sem nada definido, Campagnoli adianta como deve ser o
IBC. O centro deve ter três vias de comunicação redundantes, contando com fibra
óptica e satélite. "A fibra é uma tecnologia confiável e, mesmo que haja
inovações, ela suporta a demanda", comenta. Os tais telões, apontados por
Tino Marcos, vão depender muito deste tipo de infraestrutura. O segredo de tudo
é a disponibilidade. Se tudo estiver corretamente funcionando no IBC, cabe às
redes de TV e operadoras, empresas de conteúdo e de telefonia buscarem novos
diferenciais nas transmissões.
Hotéis, centros de treinamento e pontos turísticos das
cidades precisarão estar com conexões estáveis e seguras. Muitas transmissões
serão feitas com equipes inteiras em locais diferentes. E
profissionais de TV e TI trabalharão juntos. Os repórteres deverão usar 3G e
acesso ao portal corporativo da emissora para enviar as imagens e entrevistas.
Tudo por HTTPS ou por uma rede privada VPN que cria um canal fechado de
comunicação.
As equipes móveis também poderão enviar o material para
equipamentos que redirecionam a transmissão do sinal para IPTV (TV pela
Internet) até um host remoto. "São ações que reforçam a tendência de
crescimento no desenvolvimento de aplicações web e do uso de computadores
portáteis", destaca o diretor da Central Globo de Informática,
Administração e Patrimônio, Tom Florido.
Para o executivo, a demanda por mobilidade deverá
influenciar a difusão de gadgets, como os handhelds, e a adaptação de
aplicações corporativas para estes tipos de dispositivos. "E isso deverá
fomentar um grande crescimento em vários setores de infra-estrutura,
notadamente em TI", finaliza.
Leia mais
Esta
é a quinta reportagem da série especial sobre como o Brasil está se
preparando do ponto de vista de TI e telecom para a Copa 2014.
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