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2014: a Copa multiplataforma

por Gilberto Pavoni Junior | especial para IT Web

18/08/2009
Globo e Embratel contam seus planos e dizem por que acreditam que o evento será um marco nas transmissões

É possível acompanhar a evolução tecnológica pela cobertura da mídia nas Copas do Mundo. Em 1966, na Inglaterra, um pool de TVs pretendia transmitir os jogos via satélite. A Televisa, do México, país que seria sede do evento, fez o possível para participar desta novidade. Mas as complicações técnicas da época barraram as intenções dos mexicanos. Já, em 1970, a Copa foi marcada pela transmissão ao vivo para todo o planeta. Em 1974, os televisores ganharam cores. Décadas depois, na França de 1998, foi vez das transmissões digitais, aproximando TV e computador pela primeira vez. O celular só virou dispositivo para assistir o evento em 2006, na Alemanha. Porém, somente 5% dos então 87 milhões de aparelhos no Brasil tinham capacidade de reproduzir vídeo. Na Copa anterior, na dobradinha Coréia e Japão, esta tecnologia foi testada, mas apresentou diversas falhas.

Copa 2014: confira as cinco reportagens do especial

Pergunta-se, então, o que podemos esperar de 2014. Algumas TVs ao redor do mundo discutem a possibilidade de novas tecnologias como 3D e holografia. É difícil prever, com cinco anos de antecedência, se seria um espetáculo mais de ficção científica do que de esporte. Porém, o jornalista Tino Marcos, editor-chefe do Globo Esporte, que já participou da cobertura de cinco Copas do Mundo e viu muitas mudanças no modo como esse tipo de evento é transmitido tem uma certeza. "Imagino um crescimento especial na exibição de imagens de alta definição em telões gigantes", aponta. Para ele, a essa é uma característica das últimas Copas do Mundo de Futebol. Se antigamente as pessoas se reuniam em casa para assistir aos jogos, as últimas competições mostraram que o uso de telões consegue chamar a atenção de multidões.

O jornalista da Rede Globo é um exemplo de como a telefonia e a internet se tornaram importantes para a produção e a transmissão de notícias. Ele utiliza um notebook, um celular e um smartphone para receber e-mails durante seu trabalho. Está constantemente conectado e recebendo informações.

Na Copa de 2014, esse quadro deve estar ainda mais abrangente. Além de jornalistas, centenas de milhares de torcedores estarão de celulares em punho e conectados em seus computadores durante os jogos. E isto vai mudar o modo como assistimos ao evento. No estádio, o melhor detalhe pode estar na câmera do celular que captou algumas imagens e não na complexidade de vinte e tantas supercâmeras na beira do campo. "No jornalismo, o flagrante vale tanto ou mais do que a imagem bonita, produzida", ensina Tino Marcos.

É com essa transformações que as empresas começam a se preocupar. "A Copa de 2014 incentivará a criação de conteúdo multiplataforma e, para isto, é fundamental o uso de sistemas que suportem fluxos de trabalho flexíveis, baseados em tráfego de arquivos sobre redes de dados de alta velocidade", aponta o diretor da divisão de jornalismo da Central Globo de Engenharia, José Manoel Marino. "Será uma época maravilhosa para o consumidor de mídia, com a realização do conceito de anytime, anyplace, anywhere", diz.

TI e imprensa juntos

Para que isso aconteça, um exército de profissionais e uma infraestrutura tecnológica robusta precisa estar em pleno funcionamento. O centro nervoso das transmissões na Copa de 2014 será o IBC (International Broadcast Center), onde todas as redes de televisão e empresas de notícias acompanharão as imagens dos jogos. Ainda não está definida a cidade que abrigará esse monumento de informação. Mas já se sabe que ele deve contar com o que existe de mais confiável para transmitir imagem e som em alta definição, uma exigência da FIFA.

Além disso, será preciso prever qualquer avanço nas TVs ou nos dispositivos que transmitirão o evento para um público de cerca de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo. Seja num aparelho de televisão, celular ou computador, o centro deve tornar possível que a emoção do esporte mais amado do mundo seja assistido sem falhas. "Esta será a copa da web, da HDTV e da mobilidade", destaca o diretor-executivo de tecnologia da Embratel, Ivan Campagnoli. A empresa é uma das que estão de olho no projeto do IBC e conta com a experiência de transmitir as duas últimas Copas e os Jogos Olímpicos para comover a organização do evento.

Mesmo sem nada definido, Campagnoli adianta como deve ser o IBC. O centro deve ter três vias de comunicação redundantes, contando com fibra óptica e satélite. "A fibra é uma tecnologia confiável e, mesmo que haja inovações, ela suporta a demanda", comenta. Os tais telões, apontados por Tino Marcos, vão depender muito deste tipo de infraestrutura. O segredo de tudo é a disponibilidade. Se tudo estiver corretamente funcionando no IBC, cabe às redes de TV e operadoras, empresas de conteúdo e de telefonia buscarem novos diferenciais nas transmissões.

Hotéis, centros de treinamento e pontos turísticos das cidades precisarão estar com conexões estáveis e seguras. Muitas transmissões serão feitas com equipes inteiras em locais diferentes. E profissionais de TV e TI trabalharão juntos. Os repórteres deverão usar 3G e acesso ao portal corporativo da emissora para enviar as imagens e entrevistas. Tudo por HTTPS ou por uma rede privada VPN que cria um canal fechado de comunicação.

As equipes móveis também poderão enviar o material para equipamentos que redirecionam a transmissão do sinal para IPTV (TV pela Internet) até um host remoto. "São ações que reforçam a tendência de crescimento no desenvolvimento de aplicações web e do uso de computadores portáteis", destaca o diretor da Central Globo de Informática, Administração e Patrimônio, Tom Florido.

Para o executivo, a demanda por mobilidade deverá influenciar a difusão de gadgets, como os handhelds, e a adaptação de aplicações corporativas para estes tipos de dispositivos. "E isso deverá fomentar um grande crescimento em vários setores de infra-estrutura, notadamente em TI", finaliza.

Leia mais
Esta é a quinta reportagem da série especial sobre como o Brasil está se preparando do ponto de vista de TI e telecom para a Copa 2014.

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