Alguns sinais indicam que boa parte ou, até mesmo, todos os obstáculos em torno das nuvens híbridas serão superados. Os fabricantes de chips querem aplainar as curvas nas instruções do x86 e tornar possível o movimento de máquinas virtuais através de chips diferentes. Isso pode demorar alguns anos e uma ou mais gerações de chips, mas chegaremos lá.
Trocas entre hypervisors, até agora, foram especialidades da DMTF, a organização antes conhecida como Distributed Management Task Force. Enquanto isso, fornecedores terceirizados como a Vizioncore, DynamicOps e VMLogix oferecem ferramentas de gerenciamento que cortam os hypervisors e gerenciam as máquinas virtuais alternadamente.
Sameer Dholaki, CEO da VMLogix, diz que sua empresa desenvolve ferramentas que irão gerenciar máquinas virtuais tanto em nuvens privadas quanto em nuvens públicas "pela mesma janela" - de um terminal. A expectativa é que a primeira versão esteja no mercado até o final deste ano.
Da mesma forma, a VMware diz que seu objetivo com o vSphere 4 é oferecer ferramentas não apenas para seu servidor ESX em nuvens privadas, mas também para as nuvens públicas. A empresa planeja lançar APIs que permitirão que consultores de nuvens privadas invoquem serviços de uma outra nuvem vSphere 4 externa. Os APIs ainda estão em fase beta sem previsão de lançamento, mas a VMware trabalha com a Skytap, EngineYard e outras empresas para ilustrar como as nuvens internas e externas podem ser confederadas e coordenadas.
Para não ficar pra trás, a Citrix anunciou o XenServer Cloud Edition e o Citrix Cloud Center quase junto com o lançamento do vCloud, da VMware. O C3 ajudará os provedores de nuvens com ferramentas para gerenciar e balancear grandes números de servidores virtualizados e conectá-los por meio de uma ponte, o Citrix Repeater, que pode acelerar e otimizar tráfego de aplicativos entre as nuvens e o data center corporativo. A Citrix declarou que vai estabelecer APIs abertos e interfaces pelos quais as nuvens privadas se conectarão com as nuvens externas baseadas no XenServer. E a Microsoft, por sua vez, continua pondo em dia o gereciamento de virtualização.
Ainda assim você ficará limitado às novas cargas de trabalho desenvolvidas para execução em x86, em oposição à todas as cargas de trabalho herdadas, com sugeriu Greg Papadopoulos, CTO da Sun. Como as nuvens híbridas não se tornarão apenas mais um sonho dos profissionais de TI?
Rejesh Ramchandani, da Sun, checou despesas de TI para ilustrar que a economia com nuvem híbrida é real. Ele adicionou o preço do EC2, da Amazon, aos gastos de uma empresa que precisa de muita banda para distribuir filmes aos clientes, e demonstrou que armazenar todos esses vídeos em um serviço simples de armazenamento, ou S3, e no EC2 consome as economias de um período maior que três anos devido aos gastos com a banda larga da Amazon.
Armazenar todos os vídeos em casa também sairia caro, já que seria necessário muito espaço para armazenamento e vários servidores. No entanto, distribuir os filmes mais requisitados, 2% do total, pelo data center da empresa junto com o armazenamento dos outros filmes no S3 da Amazon - nuvens híbridas - seria a combinação mais eficaz em termos de gastos, mantém Ramchandani. Tal armazenamento requer muita banda para baixar esses 2% de vídeos em alta demanda, e ao armazená-los em casa, o negócio pagaria US$ 102.800 ao longo de três anos, comparado com os US$ 343.000 que seriam gastos para distribuí-los pelo S3 da Amazon, estima.
Grande parte dessa diferença está no preço da banda do S3, diz Ramchandani. Por outro lado, testar um negócio tão grande de movimentação de arquivos pode ser feito de modo mais barato pela nuvem, em vez de construir um data center permanente e de grande escala. No mesmo período de três anos, os testes custariam US$ 1.29 milhão, na nuvem, versus US$ 4.97 milhões, em casa, de acordo com as estimativas de Ramchandani.
Para ser lucrativo, a negócio precisa combinar armazenamento em casa, pelo menos para os vídeos mais acessados, e testes baseados em nuvem. Tal operação híbrida custaria US$ 1.39 milhão em três anos, comparado com os US$ 5.1 milhões de uma operação apenas em casa e US$ 1.6 milhão para uma abordagem apenas na nuvem. Ramchandani reconhece que seu exemplo envolve um negócio de vídeos que consome banda, mas "a mesma matemática pode ser aplicada a qualquer negócio que forneça grandes quantidades de conteúdo aos clientes", reafirma.
Leia também:
Nuvens híbridas: preparação não é fácil