A vantagem das nuvens híbridas também é válida para cargas de trabalho em que um serviço deve ser concedido com rapidez. A Eidetics, empresa que conduz pesquisas sobre a aceitação de novas drogas no mercado, é um bom exemplo. Depois que foi adquirida pela Quintiles, que conduz estudos multi-milionários com drogas de casos clínicos para grandes empresas farmacêuticas, no ano passado, ela funcionava como uma unidade independente em Boston, com seu próprio banco de dados especializado. E esse banco de dados, chamado Vertica, não era compatível com o sistema Oracle da empresa-mãe.
Pieter Sheth-Voss, diretor de pesquisas da Eidetics, considerou apelar para equipe de TI da Quintiles para uma versão do Vertica gerenciada centralmente. Então ele descobriu que a Amazon oferece Vertica como um sistema fácil de usar em EC2. "Nós somos uma empresa com 40 profissionais sem a menor ideia de como se trabalha com uma equipe central de TI", disse Sheth-Voss, um pouco envergonhado. "A Quintiles é super rigorosa com gerenciamento de dados", e gostaria de impor seus processos de gerenciamento de dados à equipe da Eidetics.
Como uma alternativa, Sheth-Voss tentou subir um grande conjunto de dados de pacientes para o Vertica na nuvem da Amazon. Ele começou às 21h e obteve os resultados às 22h. "Tínhamos um conjunto de 8,6 milhões de dados de pacientes que tentamos com a Oracle e levamos 1 minuto e meio para estipular a porcentagem de quantos pacientes eram mulheres", conta. Uma pesquisa normal da Eidetics examina centenas de fatores por paciente, por pesquisa, e os resultados costumam levar à mais uma pesquisa complexa. Para realizar tal pesquisa com rapidez, a Eidetics precisava mover os sistemas Oracle internos da Quintiles para a nuvem e, felizmente, seu banco de dados Vertica está disponível no EC2.
Os associados à Quintiles queriam ver se as pesquisas da Eidetics poderiam acessar o S3 da Amazon por meio de um navegador. Nenhum problema complexo de integração teve de ser resolvido. De início, foram necessários apenas 15 minutos para provisionar os servidores da Amazon. Para a mesma tarefa em casa "seriam necessárias reuniões e discussões ao longo de várias semanas. Muita coisa precisa ser considerada para disponibilizar um novo servidor Quintiles", avaliou Sheth-Voss.
Nesse exemplo, ficam claras as funções das nuvens híbridas entre as versões internas e nas nuvens do Vertica, da Eidetics. Muito do valor da híbrida flui de outras pesquisas da Quintiles que examinam os resultados na porção pública das nuvens híbridas, segundo Sheth-Voss.
Onde estão os padrões?
As nuvens híbridas só se tornarão mais comuns no mundo corporativo quando padrões forem desenvolvidos. Para começar, a DMTF estabeleceu o Open Virtual Machine Format, ou OVF, um formato de "importação" para máquinas virtuais movidas, em uma única direção, de um hypervisor para o outro. Os maiores fornecedores de máquinas virtuais concordaram em usar o padrão OVF. Recentemente, a DMTF estabeleceu o Open Cloud Standart Incubator, adicionando os fornecedores Savvis e Rackspace ao conselho diretor.
O presidente da DMTF, Winston Bumpus, diretor de padrões da VMware, disse que a principal tarefa do Incubator será direcionar "habilidade de gerenciamento entre os data centers corporativos e as nuvens públicas/privadas ou híbridas." O OVF foi "a estrutura básica principal", disse ele, mas o Incubator também precisará desenvolver interfaces de gerenciamento e maneiras para definir níveis de segurança comuns para todos os usuários das nuvens. As nuvens híbridas estão atrasadas.
A atividade da DMTF é incentivada, parcialmente, pelo projeto em código aberto chamado Eucalyptus, cujo trabalho, fundado pela Fundação Nacional de Ciência, busca dar acesso aos recursos de nuvens públicas a pesquisadores acadêmicos. No processo, os desenvolvedores do projeto, com base no departamento de ciências da computação da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, criaram APIs em código aberto que combinam as funções oferecidas pelos EC2, armazenamento S3 e ESB Elastic Block Storage, da Amazon.
Em abril, a Eucalyptus Systems - uma empresa com U$S 5.5 milhões em capital de risco apoiada pela Benchmark Capital, fundadora do eBay e da Red Hat - foi formada para promover os APIs e códigos do Eucalyptus que suportam provisionamento e outras operações back-end nas nuvens. Como ele é compatível com EC2, o código Eucalyptus permite que as empresas desenvolvam nuvens internas que serão sincronizadas com os serviços líderes de nuvens públicas. Mais recentemente, a Canonical, fornecedora do Ubuntu, anunciou que está formando uma unidade de serviços com a Eucalyptus Systems para auxiliar as empresas que querem construir nuvens privadas internas parecidas com as da Amazon.
O código aberto Eucalyptus é a plataforma na qual a nuvem corporativa Ubuntu será implementada, contou Rich Wolski, CTO da Eucalyptus Systems, em licença do departamento de ciências da computação da UC-Santa Bárbara. Os serviços de nuvens Ubuntu irão, em vigor, encorajar o uso de nuvens híbridas, mantém Wolski. E construir com tecnologia de código aberto evita problemas com fornecedores, disse Mark Shuttleworth, CEO da Canonical, ao anunciar sua unidade de serviços em julho passado.
Além desses esforços, o governo dos Estados Unidos decidiu que a computação em nuvem é importante demais para ficar nas mãos dos especialistas comerciais. No Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, dos EUA, Peter Mell, cientista sênior da computação e Tim Grance, gerente de programação de segurança de rede e Internet, publicaram suas definições de nuvens híbridas junto com definições para nuvens públicas e privadas e propuseram padrões para encorajar a implementação. Essa ação põe mais pressão sobre as práticas de nuvens proprietárias.
"Padrões são essenciais", disse Grance. "Um de nossos mais importantes deveres é permitir essa portabilidade entre nuvens". O NIST (National Institute of Standarts and Technology) é contrário à arbitrariedade dos padrões e sua criação é "o delicado equilíbrio entre prescrever algo e prescrever demais e muito cedo." Mas, na ausência dos padrões, Grance diz que a o NIST está tentando desenhar roteiros, definir condições e criar "um vocabulário comum ao redor do tópico. É fácil falar, mas um verdadeiro desafio para colocar em prática. São muitos fatores em risco, muitas partes interessadas."
Ainda assim, ele diz que "o futuro será muito mais brilhante se cada um abraçar um pouco de interoperabilidade na forma de APIs de nuvens e virtualização." Será bom trocar as ineficiências e altos custos dos antigos data centers simplesmente por um novo conjunto de práticas proprietárias. Os clientes devem ter um pouco de voz sobre as cargas de trabalho que serão movidas. Um formato neutro de tempo de execução para máquinas virtuais, que os fornecedores comerciais líderes podem desenvolver com facilidade, já permitiria que os clientes migrassem de uma nuvem para outra se achassem que sua primeira escolha não foi satisfatória.
As empresas prontas para adotar as nuvens híbridas irão querer alguma garantia de que suas economias serão reais e que as opções para processos de carga de trabalho nas nuvens continuarão lá após o comprometimento inicial. Não é o caso hoje, já que a VMware domina em software de virtualização e todos os fornecedores estão relutando para criar um campo neutro. Se os fornecedores líderes não querem progredir rapidamente nas noções de nuvens híbridas, outras partes, incluindo clientes poderosos que estão adotando código aberto, podem liderar o caminho sozinhos. Muitos interesses proprietários podem ser atropelados no percurso.
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