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Da Fonte
Indústria de satélites prevê expansão da demanda

por Felipe Dreher

04/11/2009
Provedores enxergam demanda superando a oferta. Entidade de classe planeja documento para criação de uma política pública

Um dos principais ícones da corrida espacial continua em alta. Desde que o Sputnik entrou em órbita, em 1957, os satélites cumprem importante papel e vivem intimamente relacionados ao mercado de TI e telecom. Nos últimos 50 anos, a tecnologia evoluiu consideravelmente e aponta bons negócios para o futuro.

A indústria apresenta seus argumentos. A distribuição de conteúdo multicast e aplicativos consume mais banda, a tecnologia serve eficientemente como sistemas de contingência à infraestrutura terrestre e, graças à sua abrangência, satélites são alternativa para regiões onde ‘levar cabos" é muito complicado. Observando apenas esses três pontos, o Brasil mostra-se como um campo fértil.

As possibilidades da internet via satélite para inclusão digital, por exemplo, entusiasmam o governo, que encara a tecnologia como possibilidade mais viável para conectar pontos distantes ou desprovidos de infraestrutura de comunicação terrestre.

"Em um país de grandes dimensões, como o Brasil, tem áreas que só o satélite é a solução", comenta o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Telecomunicações por Satélite (Sindisat), Luiz Otavio Prates, salientando que a tecnologia não quer competir com aparelhos celulares nos grandes centros urbanos.

A entidade prepara um documento sugerindo uma política pública para utilização de satélites em meio rural e/ou distante que será endereçado à Secretaria de Telecomunicações, do Ministério de Comunicações. "Até o final do ano, queremos ter alguma coisa concreta para levar para o Governo", projeta o executivo.

Esferas governamentais mostram interesse no tema. Em entrevista recente à Agência Brasil, o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB), Thyrso Villela, reforçou a necessidade de ampliação da frota de satélites do país.

No final de 2008, a Empresa de Processamento de Dados do Estado do Amazonas (Prodam) contratou a Hughes para ajudar no projeto Amazonas Digital. A iniciativa usará satélite para levar internet a 61 municípios do estado. A medida prevê uma rede de comunicação conectada via satélite com Manaus e se desenrolará pelos próximos 36 meses.

Capacidade
"Apesar da crise, 2008 foi o melhor ano da Hughes no Brasil", afirma Rafael Guimarães, diretor de marketing fornecedora de serviços de comunicação via satélite. O executivo cita uma expansão na casa dos 30% da operação local no comparativo anual. Segundo ele, o mercado cresceu nas mesmas proporções.

Apesar de atender apenas cerca de 50 clientes, esse grupo representa grande demanda, requerendo muita capacidade de banda ou pontos a serem contectados. As principais oportunidades encontram-se nas verticais de varejo, finanças, telecom e educação, em projetos do governo.

Na visão de Guimarães, o mercado de satélite só não tem crescido mais devido a escassez momentânea de recursos espaciais. "A frota sobre o Brasil está muito tomada e alguns projetos pararam devido a um gargalo de capacidade satelital", analisa.

Isso significa que possíveis iniciativas, apontadas para um futuro próximo, podem não sair do papel. Na visão do executivo, há um "vale" de lançamentos programados para 2010, o que pode representar um risco para o futuro. "Se faltar isso, o mercado para", diz.

Eloi Stivalletti, diretor de marketing e vendas da Eutelsat do Brasil, empresa de origem francesa que comercializa capacidade de quatro satélites que cobrem o Brasil. A demanda tem crescido, puxada por projetos de inclusão digital do governo e para oferta de back haul 3G para operadoras de telecom. "A demanda cresce mais do que a oferta", diz.

Segundo Prates, do Sindisat, não há motivos para se preocupar. "O mercado pode passar de momento de maior ou menor oferta, mas isso é típico do meio satélite, que tem um investimento inicial rápido e alto e retorno ao longo de cerca de 15 anos", avalia o presidente.

 



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