As companhias levarão suas principais aplicações para a nuvem? Trata-se de uma das perguntas mais feitas sobre o assunto e a NetSuite tenta responder por meio de seus resultados. Baseado no balanço do terceiro trimestre da companhia, a resposta para essa questão permanece parcialmente nebulosa.
A NetSuite é um microcosmo do que aconteceu e do que poderia acontecer com computação em nuvem e ERP. Ela é um dos poucos fornecedores que oferecem aplicativos de planejamento de recursos no modelo software como serviço (SaaS, da sigla em inglês). E, desde que se tornou pública, é a única a detalhar o quanto de software de gestão vende no modelo como serviço.
Observando o desempenho da companhia, e listando algumas exceções no mercado, dá para se ter uma ideia do que as corporações realmente estão pensando sobre cloud computing para aplicativos da área de finanças e outros departamentos considerados críticos.
Primeiro, as notícias ruins. Não pode-se desconsiderar que a receita da NetSuite se manteve estável por cinco trimestres. E, depois de dez anos de mercado, ela ainda não se tornou lucrativa (no último balanço trimestral a empresa reportou prejuízo de US$ 8 milhões). É preciso considerar ainda que companhias de SaaS que produzem grande parte de sua receita com apenas um tipo de software (Salesforce.com para CRM e SucessFactors para gerenciamento de capital humano) são lucrativas e têm apresentado fortes vendas.
Há ainda muita discussão sobre o potencial de SaaS tomar espaço de softwares vendidos no modelo tradicional, por conta de seu baixo custo. Mas este cenário nunca se mostrou para a NetSuite. Quando esta empresa perde alguma grande venda é porque o prospect continua em "status quo", afirma o CEO da NetSuite, Zach Nelson. Nelson afirma que em suas viagens internacionais vê um "oceano de mudanças" sobre as percepções dos clientes em relação a um ERP na nuvem.
O foco da NetSuite continua sendo empresas de pequeno e médio porte, mas a companhia tenta uma estratégia para atrair grandes grupos ou ainda que essas multinacionais escolham a plataforma de ERP em nuvem para suas subsidiárias, por exemplo. A Jollibee, empresa de fast-food, utiliza Oracle, mas escolheu NetSuite para divisões na China, Vietnã e Estados Unidos. Não havia como a Jollibee padronizar sistemas SAP ou Oracle nas subsidiárias. "Isso levaria de três a seis meses. Ela abriu 40 filiais em um mês e meio e levaria três anos para padronizar tudo em Oracle", explicou Nelson.
A saída de clientes tem sido um problema para companhias de SaaS, uma vez que as empresas pagam por uma assinatura e podem desistir do acordo mais facilmente. Na NetSuite, essas desistências são um problema, mas Nelson garante que o quadro é de estabilidade. E, diante dessa constatação, é fácil entender porque a empresa quer focar também grandes corporações. Firmas de menor porte entram e desistem constantemente. Quarenta por cento dos clientes NetSuite gastam menos de US$ 10 mil por ano com a companhia. Mas, como resultado da nova estratégia, no último trimestre a NetSuite já contabilizava acordos de US$ 100 mil ao ano.
Finalmente, Nelson deixou no ar algo intrigante sobre um projeto da SAP conhecido como Business ByDesign. O CEO da NetSuite afirmou que seu cliente Commco queria deixar o SAP R/3 e, para isso, comparou o NetSuite com o Business ByDesign. De acordo com Nelson, executivos da Commco afirmaram que a plataforma da SAP tinha "30% menos funcionalidades que o NetSuite."
Em dez anos de mercado, a companhia não esboçou grande crescimento e não se tornou lucrativa, mas, no último trimestre, a NetSuite reportou a maior receita em sua história. Desta forma, utilizando a NetSuite como um caso de estudo sobre o potencial de ERP na nuvem, diria que estamos em uma fase ainda sem conclusão. É difícil precisar se existe uma tendência de grandes empresas adotarem o modelo. O que vocês acham? Deixem aqui seus comentários.