O assunto crise é pauta básica nas conversas com executivos neste final de ano. Muitos afirmam que período de turbulência representou oportunidades ou mesmo que não sentiram tanto os efeitos. Mas, o fato é que cada vez mais companhias reconhecem que 2009 não foi um ano fácil. A Intel Brasil, por exemplo, como explicou o presidente da fabricante Oscar Clarke, permaneceu estável neste ano em relação a 2008.
"O que já é muito bom", argumenta. "O ano de 2009 começou muito fraco e o mercado iniciou retomada em março. O presidente (Luiz Inácio Lula da Silva) tinha razão ao dizer que o Brasil foi um dos menos impactados", completa Clarke.
Além de fazer uma boa avaliação do ano, Clarke se mostra otimista com uma forte recuperação em 2010, dizendo que está muito "motivado". Para o executivo, o País já voltou "para o trilho" e deve ser confirmar como terceiro maior mercado de PCs no mundo ainda no primeiro semestre do próximo ano. "Nos próximos três anos acreditamos que o mercado cresça entre 25% e 30%."
Com esse discurso otimista, Clarke nem parece fazer parte de uma corporação que, no primeiro trimestre de 2009, amargou queda de 56% no lucro e de 27% na receita globais. Na ocasião, por conta da instabilidade financeira, a fabricante nem ousou fazer previsões. Já no segundo trimestre, a Intel já dava sinais de recuperação, apesar de reportar queda de 15% na receita, atribuída, sobretudo, à multa de US$ 1,45 bilhão paga, em maio, à União Européia.
A recuperação do segmento de PCs que o presidente da subsidiária brasileira prevê para 2010 leva em consideração a chegada do Windows 7, que, para ele, deve acelerar a renovação do parque tecnológico dentro das empresas. Questionado sobre o motivo pelo qual esse movimento não foi iniciado neste ano, Clarke devolve: "as empresas trabalhavam com orçamento para o ano e viviam um inferno zodiacal causado pela crise iniciada em setembro de 2008 e os orçamentos foram definidos naquele momento. Já 2010 é outra realidade. Tecnicamente todos saíram da recessão e acredito em renovação do parque tecnológico ainda no primeiro semestre."
Diante dessa boa realidade prevista para o mercado nacional, o presidente da Intel Brasil calcula que de todo o investimento que a companhia direcionar para a América Latina, ao menos 55% ficará com o Brasil. Ele acredita ainda que, como 2009 foi um ano estável, o nível de aporte será até 20% maior no próximo ano.
Além do mercado corporativo, Clarke afirma que as classes C e D puxarão o crescimento do mercado de computadores e prevê uma onda de troca de máquinas originada pelos usuários que adquiriram seus equipamentos há cerca de quatro anos e, hoje, buscam produtos mais sofisticados. O executivo ainda avisa que "o governo precisa olhar com carinho para SMB e montar uma política como fez com o programa PC para Todos", já de olho em outro nicho de mercado.