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Os 10 micos da tecnologia em 2009

por ChannelWeb

17/12/2009
Confira um consolidado de más ideias empreendidas neste ano pela indústria

Todo ano, empresas, pessoas e produtos deixam uma impressão duradoura - pelos motivos errados. Um pouco antes do fim do ano, o Channelweb.com analisa dez casos em TI que justificam o título desta matéria.

A relação de amor e ódio da AT&T com o iPhone

AT&T adora mostrar que é a operadora exclusiva para iPhone nos Estados Unidos, mas não gosta nada de ver os custos associados que o aparelho celular da Apple está trazendo para a sua rede.

Quando a Apple lançou o iPhone 3GS na Worldwide Developer Conference, em junho passado, os fãs da Apple mal podiam conter a sua alegria com o novo serviço de mensagens multimédia (MMS) e as funcionalidades de tethering (usar o telefone como modem 3G) do dispositivo. Mas havia um problema: a AT&T não suportava nenhum desses serviços no lançamento do celular. Após os comentários negativos na imprensa, a AT&T finalmente anunciou que vai dar suporte aos novos recursos até o final deste ano. AT&T adicionou o MMS em setembro, mas ainda não suporta tethering.

A questão tornou-se uma grande dor de cabeça para a AT&T, que está enfrentando ações judiciais coletivas por não ter sido capaz de dar suporte ao tethering e ao MMS imediatamente após o lançamento 3GS. Senadores dos EUA estão analisando se são legais os acordos de exclusividade entre operadoras e fabricantes, como o da Apple e AT&T. Toda essa confusão evoca memórias das confusões relacionadas com monopólio que levaram à cisão da AT&T em empresas menores na década de 1980.

Divisão de serviços online da Microsoft

No futuro, a divisão de serviços onlines da Microsoft (OSD, da sigla em inglês) vai ser responsável por um grande pedaço da receita da gigante de software. Mas, agora, o OSD está sofrendo muito com as dores de crescimento.

Em seu primeiro trimestre fiscal de 2010, a Microsoft OSD gerou 490 milhões de dólares em receita, queda perante aos 520 milhões de dólares registrados no primeiro trimestre do ano anterior e teve também uma perda operacional de 480 milhões dólares contra 388 milhões de dólares no mesmo trimestre do ano anterior. Foi o 15º trimestre consecutivo de perdas e as conseqüências disso são terríveis: No primeiro trimestre, a Microsoft gastou 2 dólares para cada 1 dólar que ganhou via OSD (que inclui serviços Bing, MSN, Microsoft Advertising e Fundação Global Services).

No geral, o OSD registrou prejuízo operacional de 2,2 bilhões de dólares no ano fiscal de 2009, após amargar uma perda de 1,2 bilhão de dólares no ano fiscal de 2008. No entanto, parte dessas perdas podem ser atribuídas aos investimentos em datacenter da Microsoft e em outras áreas de infraestrutura. Para melhorar a situação na divisão, a Microsoft resolveu tirar o Windows Live da OSD e levá-lo para a divisão de clientes. Ainda assim, para uma empresa que pretende dominar o mercado de cloud computing e publicidade online, os resultados negativos da OSD devem estar causando grande preocupação.

Nortel Networks aos pedaços

Desde quando declarou concordata, em janeiro deste ano, a Nortel passou a vender sistematicamente todas as suas divisões que faziam o negócio prosperar. Em junho, a empresa vendeu sua área CDMA e divisão LTE para a Ericsson por 1,13 bilhão de dólares. Em setembro, a Avaya comprou a área de empresas da Nortel por pouco mais de 900 milhões. Antes do dia de Ação de Graças, a Nortel vendeu a sua área de Optical Networking e de Carrier Ethernet para a Ciena Corporation por 769 milhões de dólares.

O presidente e CEO da Nortel, Mike Zafirovski, renunciou em agosto e o conselho de diretores da Nortel ficou com apenas três membros. Em uma entrevista com Channelweb.com logo após a demissão Zafirovski, Joel Hackney, presidente da Nortel Enterprise Solutions, disse o que foi visto como uma das declarações mais irônicas do ano: "Levamos um longo tempo para estabilizar a empresa."

Network Access Control

A tecnologia de Network Access Control (controle de acesso de rede, NAC), apareceu como uma tendência de futuro brilhante, mas - agora - está claro que será apenas mais uma funcionalidade em vez de uma solução independente no mercado. A prova final aconteceu em agosto, quando a ConSentry Networks discretamente fechou as suas operações. Apontada como o principal fornecedor de NAC, a ConSentry sofreu e precisou mudar de estratégia quando concorrentes como a Cisco, Juniper e outros fabricantes de redes passaram a adicionar NAC em suas soluções. No entanto, a proposta de switches inteligentes da ConSentry nunca tornou-se realidade.

ConSentry é a vítima mais recente em um mercado NAC que está sendo dizimado ao ver empresas como Caymas Networks, Lockdown Networks e Mirage Networks competirem pelas migalhas. Os canais afirmam que o NAC tem um conceito poderoso por trás e é uma ótima medida de segurança, mas não tem força suficiente para se tornar um mercado individual.

Circuit City incomoda mesmo depois da falência

O Circuit City nunca foi o favorito dos parceiros e, por isso, quando anunciou em maio passado a venda da sua participação na Systemax por 14 milhões de dólares em dinheiro, uma onda de alegria atingiu diversos canais de TI. Mas, mesmo depois de morta, a Circuit City encontra maneira de irritar seus clientes.

Nos próximos 30 meses, a Systemax vai vender o estoque restante da Circuit City por meio do site Circuitcity.com. Todavia, os produtos da Compaq, IBM, Hewlett-Packard, Toshiba e Epson que eventualmente tiverem defeito não poderão ser trocados pela empresa. A política da Circuit City define que o suporte e a troca de mercadorias com defeito, mesmo se dentro dos primeiros 30 dias, devem ser tratados diretamente com o fabricante do produto. Como se isso não bastasse, produtos como software e cartuchos de toner, cartuchos de tinta e mídia digital, não são retornáveis.

Está claro que nenhum cliente vai confundir a Circuitcity.com com a Amazon.com.

Palm Pre

O Palm Pre não é um dispositivo móvel ruim, mas sofreu com as expectativas que a própria Palm colocou sobre ele. E, por isso, ele não pode ser considerado um sucesso.

A intensa competição no mercado de smartphone é um dos motivos para que ele não seja um sucesso. Preço das ações da Palm teve um pico em junho, quando o Pre foi lançado, mas caiu em novembro. Analistas do Citigroup rebaixaram a Palm de "mantenha" para a categoria "vender", enquanto subiram a Motorola de patamar por conta do seu aparelho com Droid. Alguns analistas se perguntam se o Pre será capaz de atrair desenvolvedores para o seu webOS proprietário da mesma maneira que a Apple fez e viu impulsionar o sucesso do iPhone.

Enquanto isso, a pressão sobre preços continua a atacar o Pre. A Sprint, operadora exclusiva para o telefone nos EUA, reduziu o preço de 200 dólares no lançamento para 150 dólares atualmente. A Amazon está vendendo o Pre a 80 dólares. Se o Pre pretende ainda salvar Palm, ele precisar começar a vender em enormes quantidades.

Punição para quem quebrou as regras de dentro

Em outubro, o fundador do Galleon Group Raj Rajaratnam, o executivo da IBM Robert Moffat, o funcionário da Intel Rajiv Goel e outras três pessoas foram acusadas de participar de um escândalo de insider trading (comprar e vender ações na bolsa de valores com informações privilegiadas). Há mais probabilidade de descobrir novas evidências nesse caso do que ele ser encerrado ainda em 2009.

No início deste mês, promotores de Nova York acusaram mais 14 pessoas de envolvimento no caso, incluindo Hairiri Ali, vice-presidente do Atheros, a ex-analista do Moody Deep Shah, o fundador da Incremental Capital Zvi Goffer e um ex-funcionário do fundo de Hedge da Galleon apelidado de "Polvo" pelos promotores porque "ele tinha seus braços envolvidos em vários esquemas de insider trading".

T-Mobile

T-Mobile foi recentemente atingida duas vezes por falhas que deixaram os assinantes irritados e procurando por respostas. A primeira delas não foi culpa T-Mobile, mas a situação foi a gota d"água para a empresa que busca desesperadamente aumentar sua presença no mercado sem fio dos Estados Unidos.

Em outubro, uma queda atingiu o serviço T-Mobile Sidekick - que é gerenciado pela subsidiária da Microsoft chamada Danger - culminou em perdas de dados para alguns assinantes da operadora, como os contatos do livro de endereços e de calendário. A culpa pelo caso está com a Microsoft, mas a T-Mobile teve que interromper as vendas do Sidekick por mais de um mês. E como a marca é conhecida como T-Mobile Sidekick, muitos usuários acham que a culpa foi da operadora.

No início de Novembro, T-Mobile experimentou outro acidente: uma queda de voz e dados causada inteiramente pela empresa. A T-Mobile garantiu que foram só durou 8 horas e que atingiu 5% de seus assinantes, mas o timing não poderia ter sido pior.

Satyam Computer Services

Em janeiro, Ramalinga Raju, fundador e presidente da Satyam, a quarta maior empresa exportadora de serviços e software da Índia, renunciou em desgraça depois de admitir que sua empresa havia inflacionado seus ganhos e saldos bancários em 1 bilhão de dólares durante vários anos. Raju, junto com seu irmão Rama Raju, Srinivas Vadlamani, antigo Chief Financial Officer, e dois auditores da PriceWaterhouse acabaram por ser acusados por vários crimes como associação criminosa, fraude e falsificação de registros e falsificação.

O escândalo lançou uma sombra sobre toda a indústria indiana de terceirização, quando vários detalhes sórdidos começaram a surgir para apontar os erros da Satyam. Segundo o jornal The Telegraph, do Reino Unido, Raju possui, entre outras propriedades, 1.000 ternos de grife, 321 pares de sapatos e 310 cintos, bem como 13 carros, incluindo a Mercedes e BMWs.

Alan "Rei do Spam" Ralsky

Em junho, o "Spam King" Alan Ralsky, 64 anos, se declarou culpado por fraude de e-mail conhecida como "pump and dump" - uma estratégia de envio de spams que tem como objetivo aumentar o valor de ações de empresas na Bolsa de Valores ao mandar milhares de e-mails falsos simulando opiniões de analistas sobre determinadas empresas. Ele agora cumpre até sete anos de prisão. Ralsky tem uma grande gama de infrações que vão de fraude postal, fraude por telefone a lavagem de dinheiro, de acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Ao todo, Ralsky e seus comparsas arrecadaram 3 milhões de dólares com golpes de spam entre janeiro de 2004 e setembro de 2005.

Leia também:
Os 25 executivos mais influentes de 2009
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