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Home >> Tecnologias >> Computação em nuvem
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Da Fonte
A computação em nuvem forçará a tecnologia da informação a mudar

por Charles Babcock | da InformationWeek EUA

04/03/2010
Colocar parte da carga de trabalho da área de TI em cloud exigirá abordagens de gerenciamento diferentes

Com o EC2, da Amazon, o AppEngine, do Google, e agora o Azure, da Microsoft, a computação em nuvem parece ser cada vez menos um conceito distante e cada vez mais uma arquitetura real em que seu banco de dados tem grandes chances de se conectar em um futuro próximo. Se isto acontecer, muito mais do que tecnologia deve mudar. As organizações de TI, e como elas lidam com as unidades de negócio, também devem se adaptar ou as empresas não conseguirão desfrutar tudo o que querem da computação em nuvem.

Colocar parte da carga de trabalho da área de TI em cloud exigirá abordagens de gerenciamento diferentes. Isso inclui questões de estratégia, como decidir qual parte deve ser exportada para a nuvem, qual conjunto de padrões deve ser seguido e como resolver as questões de privacidade e segurança. Há um grande problema de como e quão rápido as unidades de negócio conseguirão novos recursos de TI. Será que eles devem correr atrás disso ou deixar como está?

Leia especial sobre computação em nuvem

Do lado dos fornecedores, existem diferentes habilidades de gerenciamento. A experiência das equipes de projetos terceirizados será paralela ao da de trabalho na nuvem, como definir e policiar os níveis de acordo de serviço. Mas existe uma grande diferença que é a computação em nuvem rodando em infraestrutura compartilhada, algo menos personalizado. Algumas pessoas comparam a terceirização com uma casa alugada e cloud com um quarto de hotel. 

Para controlar problemas de desempenho, há ferramentas de monitoramento que mantém o usuário informado para que ele não dependa apenas do que dizem os fornecedores do serviço. Mas este monitoramento remoto de aplicativos pode ser uma habilidade que as áreas de TI ainda precisem desenvolver. Como a nuvem é um ambiente extremamente virtualizado, a experiência em servidores virtuais x86 construidos nos últimos anos pode se transformar na criação de "ferramentas virtuais" que serão enviadas para rodar em cloud. 

Mas isso também leva à necessidade de aumento na colaboração entre profissionais. Quando se constrói uma máquina virtual para ser usada na nuvem, pode ser essencial que administrador de sistema, gerente de rede e agente de segurança de informação trabalhem juntos. Estes modelos de servidores formarão o guia que será usado em centenas de máquinas virtuais clonadas do padrão capturado pelo modelo. 

No passado, essas habilidades foram aplicadas em momentos diferentes no provisionamento de um servidor, com o agente de segurança aparecendo, com frequência, no fim do processo para inspecionar o trabalho de outras pessoas e impôr qualquer medida de segurança que tenha sido negligenciada. Como máquinas virtuais são clonadas às dúzias, não há chance que qualquer tipo de erro seja percebido antes da implementação. Essas três áreas essenciais devem trabalhar juntas, com interdependência.

Cloud computing ainda não é realidade em muitas empresas. Mas isso pode mudar rapidamente. Em 2009, quase metade das empresas (46%) disseram que usarão ou gostariam de usar CPU, armazenamento ou outro serviço de infraestrutura em nuvem, devido à economia, de acordo com uma pesquisa realizada pela InformationWeek Analytics. Há um ano, 31% tinham essa visão. Para software como serviço, 56% usarão ou gostariam de usar.

Muita gente ainda duvida. Capacidade de computação variável, como o EC2, da Amazon, tem seu nicho, mas os aplicativos corporativos legados não sairão dos data centers e, da mesma forma, dados sigilosos de negócios também não serão enviados para a nuvem. Mas quando olhamos para os serviços oferecidos por empresas como Amazon, Google e Microsoft há quem veja uma nova e dominante economia de escala.


Momento Michael Jackson

Greg Taylor, engenheiro-sênior de sistemas da Sony Music Entertainment, é responsável pela infraestrutura de computação por trás dos websites de centenas de artistas. No começo deste ano, ele agregou capacidade à loja online do site Michael-Jackson.com, que poderia processar transações e comentários de até 200 internautas de uma vez, muito mais do que o número de visitantes esperado. 

Com a morte repentina do astro, em 25 de junho, o site foi sobrecarregado por pessoas que queriam comprar suas músicas ou apenas se comunicar com outros fãs em luto. Mais de um milhão de internautas tentaram acessar a loja online durante as 24 horas após a morte do rei do pop. Muitos queriam postar comentários mas não conseguiram. Os servidores não caíram, mas nem todos que buscavam informações puderam ser atendidos. Pior, muitas compras foram perdidas conforme o tráfego se intensificou em um website que já era "intenso em dados".

Os executivos da Sony entenderam que a morte de Michael Jackson havia sido um evento inesperado, mas acharam inaceitável o fato de que as pessoas tentaram acessar um site da empresa - e fazer compras nele - e não conseguiram. O problema não poderia ser resolvido da forma tradicional, adicionando mais hardware, porque a companhia tem lojas demais e não há como prever qual artista será o próximo alvo. Em resposta, Taylor rearquitetou os sites de Michael Jackson e de outros artistas populares para que o tráfego pudesse se dividir em dois canais: um para compradores e outro para visitantes atrás de informações. As transações permaneceram no site central hospedado nos servidores dedicados. Nos momentos de tráfego intenso, os visitantes que buscam apenas informações sobre o artista podem ser redirecionados para uma página parecida, apenas de leitura, hospedada na nuvem EC2, da Amazon.

Muitas empresas compartilham estes servidores, mantendo os gastos mínimos e com a garantia de que sempre terão a capacidade extra necessária. De acordo com a Amazon, eles podem aguentar entre 3,5 milhões e 5 milhões de visitantes por dia. Em momento de pico no tráfego, os visitantes ainda podem não conseguir efetuar uma compra, mas com certeza não sairão do website descontentes por não conseguir alguma informação. "Isso muda a forma como vemos a TI", disse Taylor. Não é mais questão de ter controle direto e constante sobre o recurso, mas saber o que precisa estar sob seu poder imediato na questão data center versus o que pode ser movido para a nuvem "elástica" e pública que, em um piscar de olhos, pode "se transformar em mais dez servidores".  No futuro, qualquer empresa que precise conduzir transações ou lidar com grandes quantidades de conteúdo pode adotar uma solução similar. As transações e os dados dos consumidores permanecem em casa e o conteúdo apenas de leitura - que não apresenta nenhum tipo de ameaça à privacidade ou à segurança do data center - é enviado para a nuvem. Se os dados no data center principal pudessem ser enviados para cloud, a empresa sobreviveria apenas com um data center menor e que exigisse menos capital. 

É o "mundo mágico das nuvens", como descreve Gordon Haff, analista da Illuminata. É difícil de executar hoje, basicamente porque ninguém ainda confia em colocar em cloud parte da carga de trabalho de aplicativos críticos ou dados de clientes. Há, também, problemas de regulamentação não resolvidos.

Em condições ideais, os desenvolvedores podem criar aplicativos web usando uma plataforma de desenvolvimento em nuvem para o ambiente no qual os aplicativos serão implementados. A área de TI pode, então, pular a dolorosa transição do código fonte do desenvolvedor para o código que está pronto para o ambiente onde será implementado. A Microsoft aperfeiçoou o potencial desse modelo e irá oferecer o TeamSystem Server no Azure.

O mais difícil é resolver qual dos aplicativos de produção de negócio pode ser movido para a nuvem. Chris Steffens, chefe de arquitetura técnica da Kroll Factual Data, uma fornecedora de relatórios sobre taxas de crédito e outras análises financeiras, conhece bem este problema. O negócio de sua empresa consiste em analisar grandes quantidades de dados financeiros e preparar relatórios. Ele lida com fortes picos nas atividades do data center. "Nós adoraríamos brincar nas nuvens", disse ele, que, por enquanto, não encontrou uma maneira de fazê-lo. "Não existe uma diretriz uniforme sobre quais padrões e sistemas podem ser usados para assegurar seus dados." Na verdade, existem alguns padrões de segurança - por exemplo, as auditorias de segurança de data center SAS 70 -, mas não existe um padrão para manuseio de dados que CEOs, CFOs e CIOs possam confiar. Por enquanto, dados confidenciais devem permanecer em casa ou serem enviados apenas para parceiros com sistemas confiáveis. 


Barreiras indistintas 

 Mesmo que a questão do manuseio de dados seja resolvida, ainda há uma barreira corporativa: uma forte divisão entre as operações de data center e equipes de desenvolvimento, que cuidam, apenas parcialmente, dos interesses do outro. Em operações, um administrador de sistemas, geralmente, conhece bem um aplicativo e seu servidor, enquanto o programador aprende sobre protocolos de rede, APIs e códigos de linguagem. Na  nuvem, o papel do administrador muda. Ele precisa confiar em outra pessoa para fazer seu papel tradicional de gerenciar  e, para acessar um servidor, deverá aprender mais habilidades de programação, como protocolos de serviços web soap ou rest e como lidar máquinas virtuais em um ambiente distribuído, o que pode exigir conhecimento de PHP, Python ou alguma outra linguagem de script. "Não existirá um administrador de sistema distinto do programador", prevê Jason Hoffman, fundador e CTO da Joyent, fornecedora de data center virtual há seis anos.

A linha que separa o administrador de sistema do programador está cada vez mais tênue na National Retirement Partners, companhia cujos conselheiros ajudam outras empresas a escolherem o melhor plano de aposentadoria. Adam Sokolic, vice-presidente sênior de operações, disse que pode desenhar uma ferramenta e que um administrador de sistemas pode desenvolvê-la para ser usada com CRM da Salesforce.com, usando a linguagem de programação Apex. 

Sokolic dirige esse esforço de TI como um contador expert em tecnologia. A habilidade de adicionar, rapidamente, ferramentas tecnológicas é uma peça-chave que mostra como a empresa espera escalar mais profissionais para sua lista atual de 150 conselheiros: "Usamos ferramentas baseadas na Salesforce para recrutar", contou. 

Já os desenvolvedores no Japan Post, um conglomerado de serviços postais, bancos e seguradoras com 70 mil funcionários, descobriram que podem ter mais rapidamente novas ferramentas usando plataformas em nuvem, mas antes precisam aprender a desenvolver aplicativos ágeis. A empresa criou aplicativos de contato com cliente e relatórios de declaração de acidentes usando a plataforma da Sales.com. Levou apenas um quarto do tempo e custo que levaria para desenvolver e implementar em infraestrutura convencional, disse Yoshihiko Ohta, gerente-geral sênior do Japan Post. Um lado negativo da Sales.com é que os desenvolvedores não conseguem fazer toda a customização que gostariam. Mas com a lógica do aplicativo principal e muitas funções de interface pré-criadas, alguns aplicativos podem ser desenvolvidos em alguns dias. Isso implora por uma abordagem mais ágil, de criação rápida e revisões frequentes.

A computação em nuvem poderia se mover rápido demais para muitas operações de tecnologia bem como exigir mudanças em políticas, em termos de aprovação de TI, gerenciamento de projetos, de portfólio e, até mesmo, de orçamento. Quando um gerente de uma unidade de negócio pede por mais capacidade no servidor, significa, hoje, um esforço de seis semanas, aproximadamente. Com a virtualização, um novo servidor pode surgir de um template ou, melhor ainda, de uma imagem Golden Master trazida do armazenamento. Os softwares de gerenciamento da VMware, Citrix e Virtual Iron (agora parte da Oracle) oferecem um laboratório de gerenciamento front-end, geralmente um portal web, onde o usuário final seleciona o tipo de servidor que quer e começa a usá-lo sozinho, se o sistema permitir. 

Sistemas de cobrança retroativa podem, automaticamente, cobrar pelo consumo separado por departamento. Ao unir isso à capacidade de nuvens externas, a principal dor de cabeça da área de TI vai embora. Os líderes de TI devem aprender a ajustar os sistemas de forma que os usuários recebam os direitos de usar os servidores e acessar recursos que estejam de acordo com suas funções. 

Se o processo de aprovação para novos servidores não atingir essa velocidade, os negócios podem sair perdendo e a área de TI arrisca uma nova forma de retrocesso. "Os processos de negócio precisam refletir o que a virtualização é capaz de fazer", diz o analista Haff, "Mesmo que seja possível acessar um servidor em 60 segundos, não adiantará de nada se o usuário ainda precisar de três semanas para aprovação."

O que está dentro, o que está fora

A linha que separa a virtualização de servidor dentro do data center de uma empresa e a computação em nuvem pública, no estilo da Amazon, também ficará mais tênue. As habilidades que os profissionais de data center têm aprimorado por causa da virtualização emx86 não será perdida, conforme eles tentam levar um pouco da capacidade para nuvens públicas. Num futuro próximo, tentar mover carga de trabalho de dentro de um data center para uma nuvem pública via migração exigirá muito conhecimento. E, se você for um usuário VMware, será bom conhecer a habilidade de conversão para o formato AMI (Amazon Machine Image), da Amazon, ou o formato VHD, da Microsoft. 

A VMware, a Citrix e a Microsoft estão na luta para serem líderes em virtualização de x86, e, ao se esforçar, irão lutar para tornar mais fácil o gerenciamento de centenas ou milhares de servidores por meio de uma camada de virtualização. Estas ferramentas de gerenciamento permitirão que as equipes de TI rodem um "cloud center" dentro o data center com menos profissionais e menos energia. Parte da vantagem surgirá conforme as novas habilidades permitirem que uma nuvem "privada" opere como parte do data center com um grau maior de automação do que antes possível. Essa nuvem privada precisará implementar balanceamento de carga em máquina virtual, o que pode incluir migrações ao vivo e exigir que as equipes de TI desenvolvam um sexto sentido para saber quando um servidor, trabalhando lentamente, estará a ponto de sobrecarregar pela carga das outras máquinas virtuais.  O desafio será, então, tornar possível essa combinação de trabalho de nuvem pública com privada. 

A Volantis Systems é uma empresa do Reino Unido que produz o servidor Ubik.com, que permite que consumidores e pequenas empresas criem páginas gratuitas desenhadas para as telas dos telefones celulares. Grandes telcos, como T-Mobile e  Telenor, usam o serviço para criar sites de informações. E a Telenor também para a loja online. O crescimento rápido ameaçou ultrapassar a capacidade de armazenamento de hospedagem da Volantis.

O CEO, Mark Watson, queria usar armazenamento em nuvem, mas se deparou com o problema que seus sistemas são baseados em Unix. Sua equipe de TI tinha pouca experiência com os servidores x86 da Dell, que fazem a nuvem Azure da Microsoft. Trabalhando com a Infosys, a Volantis criou APIs entre seu sistema de desenvolvimento e a Azure, em duas semanas. Agora ela armazena sites de clientes na nuvem por que é mais expansível. 

A Volantis é uma usuária-teste do Azure, o serviço de nuvem da Microsoft que entra em produção completa em Janeiro/2010 e começa a cobrar pelo serviço em Fevereiro. 

A Microsoft está a ponto de expandir o que pode ser feito na nuvem, não apenas expandir a capacidade de computação, mas também colocando as ferramentas de desenvolvimento na nuvem Azure e construindo serviços que tornam mais fácil o lançamento de novos aplicativos. Como a experiência da National Retirement Partners mostrou, a Salesforce está expandindo a plataforma usada pelos aplicativos para uma plataforma de nuvem mais fácil de usar, onde esses aplicativos são customizados e novos aplicativos são integrados a eles. 

A computação em nuvem é uma evolução de várias formas, uma delas é a frequência com que cria técnicas de desenvolvimento e implementação já familiares para as equipes de TI. E ela também remove alguns dos mais antigos obstáculos para a implementação de aplicativos que podem ser expandidos para um grande número de usuários. 

Ao mesmo tempo, cloud computing traz suas próprias complicações e complexidades. Aprender a trabalhar com a nuvem, ajustá-la às equipes de TI e suas políticas a novas questões dependerá da busca pelo conceito dentro do cronograma definido em cada empresa. Mas aquela ideia distante no firmamento, aos poucos, ganha formas concretas e começa a  parecer bastante com uma extensão bem real do data center.  

Leia também:

O impacto da computação em nuvem para a empresa



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