A Adobe, na quarta-feira (21), praticamente abandonou aquilo que nas últimas semanas configurou-se em uma busca claramente quixotesca: o desejo de dar aos desenvolvedores Flash uma forma de levar conteúdo na tecnologia para iPhone, iPod e iPad.
Já em 2008, a companhia vinha prometendo uma maneira de entregar tecnologia para os dispositivos Apple. Durante sua conferência, naquele mesmo ano, em San Francisco, Kevin Lynch, CTO, demonstrou suas intenções de levar o Flash 10 para o iPhone e que isso demandaria um pouco mais de trabalho nas linhas de código para submeter o sistema para teste da empresa de Steve Jobs.
Mas, desde o anúncio do iPad, em janeiro, ficou latente que a companhia de Jobs não tem estômago para o Flash. Um ponto que demonstra isso está nas mudanças recentes no acordo para desenvolvedores focados em iPhone OS 4.0 SDK, que praticamente proíbe as plataformas de desenvolvimento utilizadas pela Adobe.
Esta proibição arrebatadora enviou ondas de choque através da comunidade de desenvolvedores, levantando a possibilidade de que centenas de jogos desenvolvidos com as ferramentas possam ser banido, o consenso é que o teor geral da proibição da Apple tem um único alvo: Adobe Flash Professional CS5 Packager para iPhone.
Apple, apesar de muitos pedidos, não divulgou publicamente como pretende interpretar a sua proibição nessa questão.
O principal gerente de produto da Adobe, Mike Chambers, escreveu em um blog que acredita que a linguagem definida pela companhia de Jobs poderá ser usado contra sua tecnologia. "Embora pareça que a Apple pode aplicar seletivamente os termos, é nossa convicção de que ela irá impor os termos que se aplicam a conteúdos criados com Flash CS5", disse.
O embargo destina-se, ainda, a aplicativos aprovadas na loja iTunes, o que pode levar a retirada de mais de 100 aplicações.
A resposta da Adobe é não mais canalizar esforços para o mundo Apple. "Continuaremos a trabalhar a evolução e ataque ao iPhone e iPad com Flash CS5", afirmou Chambers, para acrescentar: "Entretanto, nós não estamos planejamos investimentos adicionais nesse tipo de recurso".
"O objetivo primeiro do Flash sempre foi a capacidade de rodar em vários browsers, plataformas e dispositivos", ponderou. "Um jogo bacana que você constrói pode ser endereçado e desenvolvido para múltiplas plataformas e devices. Entretanto, este é exatamente o oposto do que a Apple quer. Querem os desenvolvedores exclusivamente focados em suas tecnologias, restringindo opções para tornar ainda mais difícil a criação de inovações em outras plataformas".
Procurada, a Apple não se pronunciou sobre a posição da Adobe.
O que Chambers não disse, mas uma fonte da empresa revelou, é que a fabricante do Flash cogita uma possível ação contra a empresa de Jobs, unindo-se a outras companhias afetadas pelo contrato do iPhone OS 4.0. A Adobe preferiu não manifestar-se sobre questões jurídicas ou "rumores".
Enquanto isso, a empresa sinaliza sua intenção de apoiar a concorrente da Apple no segmento móvel, a plataforma Google Android. A troca abriria a plataforma da Adobe para milhões de desenvolvedores de aplicativos.